Evento gastronômico mobilizou em dezembro 14 estabelecimentos de quatro comunidades
Projeto pioneiro na formação de uma rota gastronômica nas comunidades cariocas, o Favela Gourmet anunciou os três vencedores de sua primeira edição. O concurso reuniu 14 restaurantes da Rocinha, Vidigal, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, transformando a gastronomia em ponte entre visitantes e moradores, revelando territórios que carregam histórias profundas através de sabores que traduzem memórias e identidade local.
O Bolinho de Bacalhau do Bar do Lukinhas conquistou o público da Rocinha. Pelo Vidigal, o Cuscuz com Carne Seca do Flor de Baunilha foi o mais votado. Já na região que compreende as comunidades do pavão-Pavãozinho e Cantagelo, o restaurante Panelada venceu com o Ossobuco acompanhado de arroz branco e pirão de pata de vaca. Cada vencedor recebeu R$ 3 mil de premiação. Mas além dessa ajuda finenceira, os comerciantes de todas as casas participantes apontaram um aumento médio de 35% no faturamento durante os dias de competição, reflexo direto da maior visibilidade conquistada pelo circuito.
Cerca de mil pessoas votaram no concurso, circulando pelas comunidades em busca de experiências gastronômicas de real impacto social. O formato de competição estimulou essa movimentação entre os territórios.
Renan Monteiro, criador do aplicativo Favela Turismo e participante da competição com o Mirante da Rocinha, explica que a iniciativa conseguiu promover a circulação de visitantes e revelar os territórios. "Além disso, fortalecemos negócios locais que são expressão viva da identidade das comunidades, impulsionamos o turismo comunitário como ferramenta de desenvolvimento e pertencimento", destaca.
Os estabelecimentos ofereceram preços acessíveis que variaram de quinze a trinta e cinco reais para petiscos e de trinta e cinco a cinquenta reais para pratos principais, apresentando cardápios com o sabor da diversidade carioca. No Bar da Laje, no Vidigal, a feijoada tradicional veio acompanhada de caipirinha de gengibre. Já no Mirante da Rocinha, o destaque foi o Torresmo Mirante. Criações exclusivas transformaram cada refeição em uma narrativa sobre o território.
Monteiro, CEO do Na Favela Turismo, ressalta que o visitante não consumiu apenas um prato, mas conheceu a história do chef, a origem dos ingredientes, a dinâmica de cada localidade e os desafios que moldam o cotidiano das favelas. "É a gastronomia como porta de entrada para entender o território e quem o constrói", afirma, acrescentendo que o projeto reposiciona as favelas como destinos de excelência no turismo local.
O projeto incluiu cursos de capacitação voltados à formação dos restaurantes participantes. Com o sucesso desta edição, a expecativa é que haja uma maior adesão dos estabelecimentos e aumento de público nas próximas edições.