Por: FOTOCRÔNICA | CARLOS MONTEIRO

Fotocrônica: Clareia

Fotocrônica 12/1/2026 | Foto: Carlos Monteiro

Já estava com saudades de tantas nuances, desse trem das cores abusado em códigos Pantone® do alvorecer carioca, quando o céu explode em ancenúbio ton sur ton, prenunciando um sol mais impoluto que nunca. Surge no horizonte, literalmente na linha do firmamento, do horizonte ao topo dos arranha-céus ou das montanhas. Vaidoso, faz seu espetáculo malabar sob e sobre as nuvens que, carinhosamente, o refletem, acolhem e embalam.

Já clareia mais cedo, é verão. Às 4h25 já temos os primeiros raios rútilos no firmamento. São os primeiros brilhos, os primeiros acordes da sinfonia chamada "Alvorada Carioca" que dará o tom ao dia que se inicia em pompa e verso. Composta em tons, não musicais, mas de cores e acontecimentos. Podemos dizer que cada uma das nuances, das cores, representam uma nota e que, este conjunto de acordes, uma ode ao Rio.

O Maestro, que deu o tom a Cidade Maravilhosa e que tem no nome o gentílico de sua pátria, Tom Jobim juntamente com Billy Blanco, que apesar do nome estrangeirado, é nascido na terra da Nazinha e criado nas bandas de cá, talvez tenham se inspirado nessas cores para compor "Sinfonia do Rio de Janeiro - Hino ao Sol".

Tons azulados-escuros, em lilás, avermelhados, alaranjados, doirados, e, por fim, amarelados-gema-de-ovo invadem o famoso "lindo céu azul-de-anil" do "...Rio dos sambas e batucadas..." nos versos do poeta Silas de Oliveira. O Astro-Rei marca presença!

A construção, em concreto armado, encimada pela "Parabólica Camará" e enciumada com tamanha beleza, apenas olha longamente. Admira e assiste tudo sem nada 'dizer'. Contrasta com tantos tons e semitons de amarelo-lilases.

O Astro-Rei por sua vez está ao som de Chico. Através da objetiva, percebo entre raios, luminosidade e equilíbrio sobre a cumulus nimbus que, bebeu e soluçou como se fosse um náufrago, um pássaro como uma das fragatas que ainda ensaiam seu balé matinal, com todo açúcar e muito afeto, muitas vezes descompassadas de amor.

Cidade preguiçosa, desperta... talvez ainda não, "só mais dez minutos...", quinze, talvez, põe na 'soneca'. Tudo está preguiçoso. Completando a consonância, ao longe os sons de sabiás-laranjeira, bem-te-vis e maritacas-cara-preta espalhafatosas a fanfarronas, concluem os acordes deste hino, poema musicado.

O Rio é a 'Flor do Lácio' bilaquiano: "...Amo-te assim, desconhecida e obscura. Tuba de alto clangor, lira singela..."