28° Festival do Rio

Redentora maratona

Redentora maratona
Troféu Redentor (Festival do Rio) Crédito: Christian Rodrigues/Festival do Rio

Lotando todas as salas da Espanha onde está em projeção, "A Bola Preta" ("La Bola Negra"), de Javier Ambrossi e Javier Calvo, dará a largada para a 28ª edição do Festival do Rio nesta quinta, no Odeon, demarcando um momento em que o cinema (o nacional e o estrangeiro) acolhe as mais febris lutas contra o avanço do conservadorismo e a intolerância. É um épico queer contra a homofobia.

A maratona cinefila carioca deste ano vai receber um artesão nesse papo, o iraniano Asghar Farhadi, ganhador de dois Oscars de Melhor Filme Estrangeiro (por "A Separação" e "O Apartamento"), cujo cinema celebra sempre a liberdade de sentimentos em instâncias de opressão. Nele, até a prática opressiva do amor vira metáfora para os silenciamentos estatais. Seu belíssimo drama filmado em francês "Contos Paralelos" ("Histoires Parallèles") fará desfilar a nata europeia (Isabelle Huppert, Vincent Cassel, Pierre Niney) em nossas telas. Nele, debate-se o direito à privacidade, algo que nossa sociedade pode perder a depender de como os rumos das eleições deste domingo hão de se desenhar. Por isso, vale um esforço de correr para o circuito e ver o que mestres como Farhadi têm a dizer.

Sem contar que, a partir desta sexta, começa a seção nacional da micareta cinéfila, a Première Brasil, com a competição pelo troféu Redentor.

O circuito deste Festival do Rio inclui Cine Odeon, Estação Claro Gávea, Estação Claro Rio, Cinesystem Belas Artes, Centro Cultural FGV, Cine Santa Teresa, CineCarioca José Wilker, Kinoplex São Luiz, Reserva Cultural Niterói, Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), CineCarioca Nova Brasília, CineCarioca Penha, Parque Realengo Susana Naspolini e Areninha Cultural Renato Russo. O Correio da Manhã inventaria aqui algumas pepitas do garimpo de Ilda Santiago e Walkíria Barbosa, as curadoras desta festa audiovisual.