Zélia Duncan sobe ao palco do Vivo Rio nesta sexta-feira (25) para apresentar "Agudo Grave", o show de lançamento de seu 21º álbum e o primeiro inteiramente inédito em cinco anos, lançado em maio pelo selo Duncan Discos. "Apesar de tanto tempo e de tantas músicas, continuo procurando lugares onde nunca fui. O show 'Agudo Grave' vai falar justamente desse desejo de seguir adiante, sempre revendo o lugar de onde eu vim. É uma mistura do desafio com o caminho já percorrido", resume a cantora.
Zélia assina a direção do espetáculo com Simone Mina, responsável também pelo cenário. A direção musical é de Maria Beraldo, produtora e arranjadora do disco e uma das participações especiais da gravação ao lado de Lenine e Alberto Continentino.
"Agudo Grave" celebra os 45 anos de carreira de Zélia com o que a própria artista define como uma discografia feita de "montanha russa por escolha". Álbuns pop coalhados de hits radiofônicos ("Zélia Duncan", 1994; "Sortimento", 2001; "Pré Pós Tudo Bossa Band", 2004) convivem com a garimpagem de "Eu me transformo em outras" (2003), com mergulhos na vanguarda paulista de Itamar Assumpção ("Tudo esclarecido", 2012), Luiz Tatit ("Tôtatiando", 2015) e Alzira E. ("Minha Voz fica", 2021), com o samba de "Antes do mundo acabar" (2015), o repertório de Milton Nascimento gravado com Jaques Morelenbaum ("Invento mais", 2017), a parceria com Simone ("Amigo é casa", 2007) e o minimalismo pandêmico de "Pelesírito" (2021), feito com Juliano Holanda.
Escolhida para produzir e arranjar o novo trabalho, maria Beraldo é cantora, compositora e instrumentista de sólida formação - assina dois discos aclamados pela crítica — "Cavala" (2018) e "Colinho" (2024, indicado ao Grammy Latino) — e transita no álbum do pop ao folk, do rock ao choro canção, em arranjos que dão espaço à voz de Zélia e à força das canções.
A parceria rende duetos memoráveis, como em "Voz", de sua autoria com a anfitriã, cantada pelos dois sobre o violão solo de João Camarero: "Minha voz é hoje / meu corpo é estrada toda / minha voz é hoje / minha pele são as curvas todas / minha voz é hoje / minha dor é ontem / e as cicatrizes todas cantam por mim".
São 11 faixas em 38 minutos, gravadas no Estúdio do Tó, em São Paulo, entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, com engenharia de Tó Brandileone, mixagem de Ricardo Mosca e masterização de Carlos Freitas. O repertório costura quatro linhas de força. Em "E aí, IA?", parceria com Alberto Continentino, Zélia olha nos olhos da máquina para perguntar "e aí, IA?" — quase uma reedição do "E agora, José?" drummondiano no espírito do tempo, enquanto "Olhos de cimento" (com Pedro Luís) clama por gente e "semente para humanizar robôs" num mundo em que "a solidão viralizou". "Meu plano", feito com Ná Ozzetti, propõe ser "bicho solto e ser humano".
O amor aparece sereno em "Canções de amor em paz": "Importante", dedicada a Flavia Pedras, companheira de Zélia e diretora de arte do disco, e "Calmo", parceria com Zeca Baleiro, soam como toadas atemporais, com direito a "amor Caymmi" e cavaquinho de Rodrigo Campos; "Resolvidinho", com Juliano Holanda, canta o trisal perfeito — "eu, você e Freud, com tudo resolvidinho". Já "Maravilha disforme", dueto com Lenine, enumera oxímoros que comovem desde o primeiro verso: "O sólido que escorre / o dia que não corre / o eterno que termina / o ontem que tem pressa / a maravilha disforme". A espinha dorsal do disco fica por conta de "Agudo Grave", com Lucina — "Sinto agudo e canto grave / no meu pequeno intenso mundo" —, e do encerramento, "Que tal o impossível?", de Itamar Assumpção, que reúne todos os músicos do álbum e termina com a voz falada de Zélia enunciando o título, sem acompanhamento.
No palco do Vivo Rio, Zélia é acompanhada por Antonio Loureiro (bateria), Fabio Sá (baixo), Aline Gonçalves (flautas e clarinete), Amanda Camargo (piano) e Ciro Bellucci (violões). O roteiro põe as novidades — "Agudo Grave", "Pontes no Ar", com Alberto Continentino, e "Maravilha Disforme" — em diálogo com obras que já fazem parte da trajetória da cantora. A estreia nacional do show aconteceu no Sesc Pinheiros, em São Paulo, entre os dias 4 e 7 deste mês.
SERVIÇO
ZÉLIA DUNCAN - AGUDO GRAVE
Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo) | 25/9, às 21h
Ingressos a partir de R$ 120 e R$ 60 (meia)
Menu