Às 20h deste sábado, serão conhecidas as expressões de brasilidade que o Kikito, o deus-sol dos Pampas, contemplou com seu troféu dourado sorridente, na análise de uma competição que tem Grace Passô e seu "Nosso Segredo" e Allan Deberton e seu "Feito Pipça", como favoritos. A festa será transmitida pelo Canal Brasil, ao vivo. Já se sabe, contudo, quem ganhou as láureas dadas aos curtas. "Shibal" é o vencedor da categoria. Sua narrativa é de uma tensão contagiante.
Frenético na sua cartografia de uma metrópole aberta a riscos, "(Shibal)", escrito e realizado por João Rubio Rubinato, venceu o Kikito de Melhor Filme da Mostra de Curtas-Metragens do 54.º Festival de Gramado, na noite de sexta-feira, com glórias. Rodado em 16mm no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, o filme apresenta uma trama tragicómica sobre o caos urbano a partir de um dia na vida do gravurista Tom, interpretado por Tavinho Teixeira.
“Este prémio representa, para mim, o reflexo de oito anos de trabalho a fazer curtas-metragens e a descobrir o meu cinema ao lado de pessoas maravilhosas como seres humanos e técnicos”, comentou Rubinato durante a cerimónia de premiação.
Entre as curtas brasileiras em concurso, nenhum título parece ter comovido tanto Gramado quanto "Pão Doce", de Wesley Gabriel Silva Santos. O desempenho de Francisco Gaspar como um padeiro submetido aos abusos laborais de uma jornada sem um pingo de humanidade levou o festival por uma trilha de neorrealismo tardio, mas poético. Se, entre as longas-metragens, o trabalho de José Loreto em "Chorão – Só Os Loucos Sabem", exibido na última segunda-feira, segue imbatível, na competição de curtas Gaspar marcou o seu nome com uma interpretação de grande força. Não por acaso, recebeu o Kikito de Melhor Interpretação Masculina, enquanto Wesley Gabriel foi distinguido com o de Melhor Realização.
Em Guarulhos, a personagem de Gaspar, Fernando, tenta preservar o máximo de tempo possível para poder celebrar o sexto aniversário da filha. Obrigado a levar Sophia para a padaria por não ter com quem a deixar, precisa de navegar pelo espaço estreito entre a sobrevivência profissional e o zelo paterno. A realização de Wesley Gabriel é primorosa e evoca clássicos de São Paulo no cinema, como "O Grande Momento" (1958), de Roberto Santos (1928-1987).
Merece igualmente destaque o merecidíssimo Kikito de Melhor Interpretação Feminina atribuído à atriz e VJ Cris Couto por "Um Passeio". É uma atuação tocante, construída a partir de uma reflexão sobre o etarismo e a relação de uma mulher sexagenária com o desejo.
O PALMARÉS DAS CURTAS BRASILEIRAS EM GRAMADO 2026
MELHOR FILME: " (Shibal)", de João Rubio Rubinato
MELHOR REALIZAÇÃO: Wesley Gabriel Silva Santos, por "Pão Doce"
MELHOR INTERPRETAÇÃO MASCULINA: Francisco Gaspar, por "Pão Doce"
MELHOR INTERPRETAÇÃO FEMININA: Cris Couto, por "Um Passeio"
MELHOR ARGUMENTO: Camila Tarifa, por "Mulher Papaya"
MELHOR FOTOGRAFIA: Felipe Ovelha, por "Pique-Pega"
MELHOR MONTAGEM: Gilson Costa e Thamires Coelho, por "Divino: sua alma, sua lente"
MELHOR BANDA SONORA: Ângelo de Souza, por "Graxa e o Zepelin"
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Jackson Abacatu, por "A menina que queria ser pedra"
MELHOR DESENHO DE SOM: Marcos Lopes, por "Fúrias"
MELHOR FILME PELO JÚRI DA CRÍTICA: "Mulher Papaya", de Camila Tarifa
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: "Revelação", de Gabriela I. Gaia
PRÉMIO CANAL BRASIL DE CURTAS: "Revelação", de Gabriela I. Gaia
JÚRI POPULAR: "Divino: sua alma, sua lente", de Clea Torres e Gilson Costa, com codireção de Divino Tserewahú
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