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Madrugada de poder com Clint Eastwood na Globo

Madrugada de poder com Clint Eastwood na Globo
Clint Eastwood dirige e protagoniza "Poder Absoluto", na pele de um ladrão às voltas com um delito nas imediações da Casa Branca Crédito: Castle Rock Entertainment - © 1997

Iguaria para os padrões da TV aberta, “Poder Absoluto” (“Absolute Power”, 1997) consolidou a fase mais elegante do cinema policial de Clint Eastwood, depois de sua jornada como Dirty Harry. O thriller criminal (de bastidores políticos) volta à tela da Globo nesta madrugada (na virada de domingo para esta segunda, no “Cinemaço”, à 1h45, com o astro em frente e atrás das câmeras numa história em que corrupção e e suspense caminham lado a lado.
Baseado no romance de David Baldacci e adaptado por William Goldman, o longa acompanha Luther Whitney (Clint Eastwood), um ladrão veterano especializado em invasões sofisticadas. Durante um roubo aparentemente perfeito a uma mansão de luxo, ele acredita ter encontrado o golpe que garantirá sua aposentadoria. Joias, relógios, dinheiro vivo e objetos valiosos bastariam para financiar uma vida tranquila e permitir que ele se dedicasse à sua paixão pela pintura, estudando mestres como El Greco.
Mas o plano muda de rumo quando Luther testemunha um crime brutal. Escondido atrás de um espelho falso, ele vê uma mulher ser assassinada depois de uma violenta discussão com o amante. O detalhe transforma o caso num escândalo de proporções nacionais: o homem envolvido é o presidente dos Estados Unidos, Alan Richmond, interpretado por Gene Hackman. A partir desse instante, o ladrão deixa de ser apenas um criminoso procurado e passa a carregar um segredo capaz de derrubar o ocupante da Casa Branca.
Produzido com orçamento de US$ 50 milhões, “Poder Absoluto” foi exibido hors-concours no Festival de Cannes e arrecadou cerca de US$ 90 milhões nas bilheterias mundiais. Eastwood conduz a narrativa com firmeza, transformando Luther num anti-herói complexo, cuja sobrevivência depende tanto de sua inteligência quanto da capacidade de escapar de uma poderosa máquina política empenhada em silenciá-lo.
O elenco reúne ainda Laura Linney, como a filha de Luther, Ed Harris, Scott Glenn, Judy Davis e Dennis Haysbert. Hackman, que já havia dividido a tela com Eastwood em “Os Imperdoáveis”, interpreta um presidente marcado pela arrogância e pela impunidade, reforçando a dimensão moral do confronto.
A direção privilegia um suspense clássico, sustentado pela fotografia de Jack N. Green e pela montagem precisa de Joel Cox, que alterna tensão e ação sem perder o foco nos personagens. O resultado é uma narrativa febril que combina entretenimento e crítica política, mantendo o espectador em permanente estado de alerta até os minutos finais. Isaac Bardavid dublou Clint no Brasil.