Correio da Manhã
Cinema

Tempo de cair na real

Narrativas de não ficção movimentam mostras, ocupam o circuito comercial e resgatam o Cineclube Macunaíma num flerte da cinefilia carioca com a poesia do documentário nacional

Tempo
de cair na real

Rodrigo Fonseca

Especial para o Correio da Manhã

Achegada ao circuito comercial de "Ecos do Teatro Experimental do Negro", de Daniel Solá Santiago, programado para Cinesystem Belas Artes, amplia o espaço da não ficção em nossas telas, que receberão na semana que vem o multipremiado "A Fabulosa Máquina do Tempo", de Eliza Capai, coroado com loas na Berlinale. Estamos com "Toquinho - Encontros e um Violão", "Alma Negra - Do Quilombo ao Baile", "A Noite de Alaíde" e (o genial) "Anatomia do Caos" em diferentes cantos da cidade.

Mas as vitrines da não ficção se espalham por outras latitudes, entre elas o auditório do nono andar do edifício da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro), que projeta, nesta sexta, às 18h, "Alberto Dines: Vínculos da Liberdade". O longa mais recente de Ugo Giorgetti será projetado no regresso do Cineclube Macunaíma, patrimônio da cultura carioca que retorna ao berço onde surgiu em 1973.

Neste dia 24 de julho, começa a segunda edição do FID:RIO - Festival Internacional de Artes e Cinema de Não Ficção do Rio de Janeiro, que ocupa sete espaços culturais de nossa geografia com uma programação que reúne cinema, teatro, música e artes visuais. A pepita deste fim de semana é a sessão de "Explode São Paulo, Gil", de Maria Clara Escobar, no domingo, às 16h, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). Sua protagonista, Gil sempre quis ser cantora. Mudou-se para Essepê com sua esposa quando tinha 20 anos para realizar esse sonho. Trabalha desde então como faxineira. Maria Clara lhe propõe fazer um filme. Gil se torna famosa, elas explodem duas cidades e refletem sobre sonhos, trabalho e esquecimento.

No CCBB Rio está rolando a mostra Premiados do XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, com joias exibidas antes na Bahia. Nesta sexta, já às 13h30, tem "A Cachoeira", de Rayssa Coelho e Filipe Gama, e "O Que Você É Sai por Todos os Lados", de Larissa Lacerda, seguido de "As Travessias de Letieres Leite", de Iris de Oliveira e Day Sena, às 15h30, desta tarde. No sábado, às 15h40, rola o imperdível "Perequete", de Bertrand Lira. Às 17h50, a pedida do sabadão, com o carimbo do Festival de Cannes, é "Para Vigo Me Voy!", de Lírio Ferreira e Karen Harley, que revive as lutas estéticas e políticas de Cacá Diegues (194902-25). No domingo, o CCBB, às 17h30, vai de "Bregueragem", de Daniel Arcades, e de "Anti-Heróis do Udigrudi Baiano", de Henrique Dantas.