Às vésperas da estreia de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", marcada para 31 de agosto, a Marvel encontrou um novo fenômeno nas plataformas digitais: o média-metragem "O Justiceiro: Uma Última Morte" ("The Punisher: One Last Kill"), disponível na Disney+. A produção veio na esteira da transposição do seriado do personagem da Netflix para o streaming da Disney. Num ano acidentado para super-heróis, após o desastre de “Supergirl”, seu êxito na plataforma de Mickey Mouse reforça o interesse pelo universo compartilhado que tem Tom Holland como Peter Parker.
A movimentação em torno dessa selvagem produção de Reinaldo Marcus Green ganha força justamente quando Holland chama atenção nos palcos da Broadway, onde protagoniza a adaptação teatral de "Dog Day Afternoon" (“Um Dia De Cão”). Com 48 minutos de duração e classificação indicativa para maiores de 18 anos, "O Justiceiro: Uma Última Morte" recoloca Frank Castle numa crise existencial radicalíssima, quando precisa decidir se volta ou não a pegar em armas. Apoiado numa iluminada atuação de Bernthal, o veterano de guerra transforma sua cruzada contra o crime em um acerto de contas marcado pela violência extrema e pela ambiguidade moral que sempre caracterizaram o personagem.
Criado em 1974 por Gerry Conway, Ross Andru e John Romita Sr., o Justiceiro surgiu nas páginas de "The Amazing Spider-Man" como antagonista do herói aracnídeo. Ex-fuzileiro naval, Frank Castle decide exterminar criminosos depois de testemunhar o assassinato da própria família durante um confronto entre mafiosos. Ao contrário dos super-heróis tradicionais da Marvel, ele não possui poderes sobre-humanos: sua eficiência vem do treinamento militar, do domínio de armamentos e de uma determinação implacável, simbolizada pela célebre caveira estampada no peito.
O sucesso do especial também impulsiona as HQs. A editora Marvel lança este mês "Punisher" nº 6, escrita por Benjamin Percy e ilustrada pelo português Jose Luis Soares Pinto, ampliando a nova fase editorial do anti-herói e aproveitando o interesse despertado pela produção do streaming. No Brasil, a Panini Comics está lançando encadernados com a fase de Castle escrita pelo irlandês Garth Ennis (da saga The Boys).
Desde sua criação, o Justiceiro tornou-se um dos personagens mais controversos da Marvel justamente por desafiar o código moral dos heróis clássicos. Enquanto figuras como Homem-Aranha e Demolidor evitam matar seus adversários, Frank Castle acredita que apenas a eliminação definitiva dos criminosos pode romper o ciclo da violência. Essa visão radical explica por que continua despertando debates cinco décadas depois de sua estreia — e ajuda a entender por que seu retorno à tela chega cercado de tanta repercussão.
Justiceiro redime o legado dos heróis de HQ
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