79º Festival de Cannes

'Fjorde' dá ao romeno Cristian Mungiu sua segunda Palma de Ouro

'Fjorde' dá ao romeno Cristian Mungiu sua segunda Palma de Ouro
Os fiórdes da Escandinávia dão título à produção dirigida por Cristian Mungiu na Noruega Crédito: Divulgação

“Fjord” rendeu a Palma de Ouro de 2026 ao romeno Cristian Mungiu, apoiado numa narrativa de espinhosa provocação acerca da violência contra imigrantes e intolerância religiosa. O Grande Prêmio do Júri, a láurea que costuma demarcar exercícios estéticos de esmero formal agigantado, coube a “Minotaur”, da Rússia. Há uma espécie de terceiro lugar no pódio, o Prêmio do Júri, que foi outorgado a “The Dreamed Adventure”, um thriller de máfia às avessas de Valeska Grisebach. O time de juradas e jurados deste ano, presidido pelo sul-coreano Park Chan-wook (realizador de “OldBoy”), escalou Javier Calvo e Javier Ambrossi para receber a láurea de Melhor Direção, com “La Bola Negra”. Os troféus de Melhor Interpretação foram atribuídos a Tao Okamoto e Virginie Efira (por “Soudain”) e a dupla Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por “Coward”. O Melhor Roteiro para Park e seu colegiado foi “Notre Salut”, de Emmanuel Marre.
A Argentina, que hoje sofre com Javier Milei, celebra a glória de um de seus talentos mais audazes do momento, Federico Luis, agraciado com a Palma de Curtas por “Para Los Contricantes”. Já Rwanda faz festa pela Caméra d’Or entregue a “Ben’Imana”, de Marie Clémentine Dusabejambo, celebração das forças femininas da África.
Esse palmarês foi anunciado na tarde deste sábado, no Palais des Festivals. Coube à atriz, cineasta e cantora Barbra Streisand uma Palma de Ouro Honorária... a terceira deste ano, pois antes dela, a honraria foi confiada ao ator John Travolta e ao diretor Peter Jackson.
Mesmo sem cineastas de nossa pátria concorrendo na disputa principal, o audiovisual do Brasil mordiscou o chamado “palmarês” (a premiação) de Cannes, em âmbitos paralelos. Lucas Acher ganhou a competição La Cinef, de curtas universitários e escolares, com “Laser-Gato”, de raízes paulistas. O chileno “La Perra”, que tinha Selton Mello no elenco e o produtor Rodrigo Teixeira na linha de frente de sua equação criativa, rendeu a Palm Dog à sua estrela canina, a cadelinha Yuri. Na seção Um Certain Regard, “Elefantes na Névoa”, trama do Nepal coproduzida por Tatiana Leite e Leonardo Mecchi, rendeu uma láurea à sua equipe de som, de SP, e ganhou o Prêmio do Júri de sua competição.
Com o término de Cannes, as atenções da indústria cinematográfica se voltam para o Festival de Locarno, na Suíça, que agendou suas atividades de 5 a 15 de agosto, com homenagens à atriz Isabella Rossellini e ao diretor Darren Aronofsky. É um dos pontos do circuito cinéfilo que aquecem as expectativas para o Oscar.
Premiação de Cannes em 2026
PALMA DE OURO: “Fjord”, de Cristian Mungiu (Romênia)
GRANDE PRÊMIO DO JÚRI: “Minotaur”, de Andrey Zvyagintsev
PRÊMIO DO JÚRI: “The Dreamed Adventure”, de Valeska Grisebach
DIREÇÃO: Javier Calvo e Javier Ambrossi, por “La Bola Negra”
ROTEIRO: “Notre Salut”, de Emmanuel Marre
ATRIZ: Tao Okamoto e Virginie Efira, por “Soudain”
ATOR: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por “Coward”
CAMÉRA D’OR (melhor filme de estreante): “Ben’Imana”, de Marie Clémentine Dusabejambo (Rwanda)
PALMA DE CURTA-METRAGEM: “Para Los Contrincantes”, de Federico Luis (Argentina)
DOCUMENTÁRIO: “Rehearsals for a Revolution”, de Pegah Ahangarani (Irã/ República Tcheca/Espanha)
QUEER PALM (Láurea queer): “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, de Jane Schoenbrun (EUA)
PRÊMIO DO JÚRI ECUMÊNICO: “Fjord”
PRÊMIO DA CRÍTICA (FIPRESCI): “Fjord”