Cinema

Cifras de dar orgulho aos Lumière

Sete filmes franceses bateram a marca de 1 milhão de ingressos vendidos em seu território nacional, que encerra o Festival de Cannes com novos sucessos potenciais à vista

Cifras de dar orgulho aos Lumière
'La bataille de Gaulle L'âge de Fer' é uma das maiores apostas da França para 2026 Crédito: Pathé Malgosia Abramowska

Com estreia na França já agendada (e bastante esperada!) para 3 de junho, "La Bataille de Gaulle: L'Âge de Fer", de Antonin Baudry, tornou-se un ímã de holofotes no 79. Festival de Cannes, com sua recriação realista das estratégias do general mais famoso daquele país para derrotar Hitler. Se a sua recepção em circuito for um décimo do que se viu de engajamento pop na Croisette, as cifras já bem altas do cinema francês, em 2026, vão ao Infinito e além. Sete produções (cá ainda inéditas) da pátria presidida por Emmanuel Macron passaram a marca de 1 milhão de ingressos vendidos, o que faz delas blockbusters. O êxito n. 1 é a aventura "Marsupilami", de Philipe Lacheau, com 6,1 milhões de pagantes na conta.

O segundo lugar do pódio, até aqui, é "Gourou", de Yann Gozlan. Vendeu 2 milhões de bilhetes com a ajuda de Pierre Niney, um divo na Europa, no papel de um charlatão da autoajuda. O número 3 do panteão de faturamento de títulos franceses na França é "Juste Une Illusion", feito pela dupla Éric Toledano e Olivier Nakache, a mesma do fenômeno "Intocáveis", de 2011, visto por quase 20 milhões de pessoas em Paris e arredores.

De 12 a 23 deste mês, Cannes apresentou (e notabilizou) mais uma leva de longas com fôlego para fazer crescer (um bocado) a arrecadação audiovisual de sua nação. O próprio longa de abertura do evento, a comédia "La Vénus Électrique", estreou com força, ao vender 320 mil tíquetes em seus fim de semana de arranque. Animações faladas na língua (editorial) de Astérix, como "Le Corset" e "Jim Queen", exibidas em mostras paralelas, saem do balneário prontas para faturar fortunas. Da prata da casa que disputou a Palma, "L'Inconnue", de Arthur Harari, deve levar multidões às salas, com o apoio de Léa Seydoux, uma estrela de fama mundial.

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A animação 'Le Corset' sai da Croisette com apetite de milhões | Foto: Divulgação

Quem trabalha feito formiguinha para elevar a receita daquela nação - que foi o berço do cinema, em 1895, com os Irmãos Louis e Auguste Lumière - é a instituição chamada Unifrance, um aparelho do Ministério da Cultura da França. Sua diretora atual, Daniela Elstner, conversou com o Correio da Manhã na Croisette.

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Daniela Elstner, diretora da Unifrance | Foto: Marie Rouge/Unifrance

"A França teve muitos filmes selecionados este ano, refletindo a diversidade e a riqueza da nossa produção. Nós aqui acompanhamos esses filmes em todas as frentes: em primeiro lugar, com o nosso terraço (num prédio no centro do balneário), um espaço disponibilizado às equipes dos filmes franceses para que possam se reunir com a imprensa internacional. Esse terraço também serve como local de intercâmbio e encontro", diz Daniela. "Apresentamos ali a promoção do 10toWatch 2026, com entrevistas durante o dia e um jantar à noite, após uma subida conjunta das escadarias, para encontrar distribuidores e festivais de todo o mundo".

Há duas décadas e meia, a Unifrance promove, todo ano, em janeiro, em solo parisiense, um fórum, o Rendez-vous Avec Le Cinéma Français, regado de celebridades e vozes autorais. É uma estratégia para mobilizar o planeta acerca do que o Velho Mundo põe em fricção em seus sets.

"Lançamos, em parceria com o Ministère de l'Europe et des Affaires étrangères (MEAE), um novo selo em 2025, o Demain En Vues, que destaca obras que refletem questões sobre o nosso mundo e a nossa sociedade do futuro - incluindo longas e curtas-metragens, séries, ficção, animação e documentários - de artistas com menos de 35 anos. Trabalhamos com um júri multidisciplinar - composto exclusivamente por jurados com menos de 35 anos", diz Daniela. "Lançaremos no final de novembro o Series Express, em Bruxelas e em Amsterdã, com quatro séries, das quais exibiremos dois episódios na presença do elenco e da equipe".

Esta semana, dois longas francesas estreiam no Rio: "Chopin, Uma Sonata Em Paris", com Lambert Wilson, e "Fora de Controle", com Omar Sy.