Num dos momentos de maior queda em sua carreira, ali pelo princípio dos anos 1990, quando parecia estar resumido a babá de nenéns dublados por Bruce Willis e Diane Keaton, John Travolta ajudou Quentin Tarantino a levar uma Palma de Ouro para o Estados Unidos, ao compor o elenco de "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (1994). Foi em Cannes que aquela revolução narrativa nasceu, assegurando ao ator, uns meses depois, uma indicação ao Oscar. Era a segunda de sua carreira, pois concorreu à estatueta da Academia antes, em 1978, por seu requebrado como Tony Manero em "Embalos de Sábado À Noite".
A Croisette sempre foi tiete de Travolta. Não por acaso, nesta sexta-feira, seu festival vai acolher o primeiro exercício dele por trás das câmeras: "Aventuras nas Alturas" ("Propeller One-Way Night Coach"). No fim deste mês, ali pelo dia 29, essa produção de uma hora estará na Apple TV. Cannes a confere antes.
Sua trama é ambientada na era de ouro da aviação, batendo cabeça para uma das paixões de Travolta: pilotar aviões. No filme, o jovem entusiasta de aeronaves Jeff (interpretado pelo estreante Clark Shotwell) e sua mãe (Kelly Eviston-Quinnett) partem em uma odisseia de ida pelo país até Hollywood, transformando um simples voo na viagem de suas vidas. Entre refeições nos ares, atendimentos dedicados de comissárias de bordo (interpretadas por Olga Hoffman e Ella Beau Travolta, filha do astro e diretor), escalas inesperadas, passageiros extraordinários e um vislumbre emocionante da Primeira Classe, essa travessia se desenrola na forma de momentos mágico, traçando o rumo futuro do menino.
Em 2018, Travolta foi ao Festival para participar do chamado Rendez-vous, uma sabatina na qual estrelas e vozes autorais da realização revisitam seus legados. Este ano, Cate Blanchett e Tilda Swinton estarão nesse posto.
Recentemente, Travolta chamou a atenção da crítica com sua participação em "O Pastor", filme de Natal da Disney . Aos 72 anos, prepara-se para voltar ao circuito com "November 1963", de Rolland Joffé (de "A Missão"), mas nem de longe é capaz de arranhar a popularidade que alcançou na década de 1990, depois de viver Vincent Vega (e dançar Twist com Uma Thurman), sob a direção de Tarantino, em "Pulp Fiction" (1994). Até 2001, ele emplacou mais uma série de sucessos, a se destacar "A Outra Face" (1997), de John Woo. O êxito daquele momento foi quase tão grande quanto a coqueluche que ele produziu na Era Disco, como Tony Manero.
No Brasil, sua voz é indissociável do dublador Mario Jorge.