Longa estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do rei do Pop, apela para uma linguagem de tons documentais a fim de filmar shows com um realismo que deslumbra a plateia
Falou-se mal (injustamente) de "Michael", a cinebiografia do Rei do Pop, sob o argumento de ele deletar as passagens mais polêmicas da vida (repleta de conflitos) do ícone musical por trás de hits como "Thriller" e "Beat it", mas, ainda assim, os comentários depreciativos não tiraram o tapete de sua estreia. Antoine Fuqua, seu realizador, hoje comemora a arrecadação estimada em US$ 217 milhões que o longa-metragem estrelado por Jaafar Jackson (sobrinho do cantor) registrou em de 21 a 25 de abril, mundo afora. Levando-se em conta que seu orçamento foi de cerca de US$ 165 milhões (algumas fontes falam em US$ 200 milhões), sua arrancada foi mais do que bem-sucedida. Um detalhe: plateias se levantam e dançam em muitas sessões.
Essa acolhida calorosa ampliam as chances de esse exercício autoral do diretor do oscarizado "Dia de Treinamento" (2001) e da franquia "O Protetor" (2014-2023) se tornar a maior receita de 2026 até a Summer Season, jargão que designa a temporada de superproduções do Verão dos EUA. Há quem estime que a saga de Michael Jackson (1958-2009) vá derrotar o atual campeão do ano, a animação "Super Mario Galaxy - O Filme". Mas vencer o bombeiro hidráulico que fez fama em jogos na Nintendo não será fácil. Sua atual peripécia contabiliza US$ 831,4 milhões e o número de ingressos vendidos só cresce.
Há quem acredite que, no Brasil, "Michael" e "Super Mario Galaxy" baterão de frente, neste fim de semana, com um adversário cunhado na argamassa da não ficção: "Zico, O Samurai de Quintino", o documentário de João Wainer sobre o ícone da massa rubro-negra. Com exceção de "Os Trapalhões e o Rei do Futebol" (1986), historicamente, nenhuma produção sobre o esporte mais amado do país vira blockbuster, mas... Zico tem uma multidão de fãs. Vai que... O campeão brasileiro da vez segue sendo "Velhos Bandidos", de Cláudio Torres, com sua mãe, a diva Fernanda Montenegro, que beira 400 mil pagantes.
Talhado para brigar por Oscars, sobretudo para Colman Domingo, "Michael" vem atraindo o público adulto que viveu o apogeu de seu personagem central pós Jackson Five e também uma garotada, que se rende ao carisma de Jaafar Jeremiah Jackson. Ele tinha uns 12 anos quando seu tio mais famoso morreu. No auge das polêmicas em volta de sua reclusão, Michael Jackson teve uma parada cardíaca e não resistiu. A versão para as telas de seus feitos, rodada de modo delicado por Fuqua, tem Colman no papel do pai do músico e prefere se concentrar num período beeeem anterior à sua morte, anterior até ao escandaloso "Black & White", cujo clipe foi lançado entre nós no "Fantástico" de 1991. O foco é a infância com seus maninhos, sob a rígida condução paterna, e seus sucessos iniciais. Fuqua apela para uma linguagem de tons documentais a fim de filmar shows com um realismo que deslumbra a plateia.
O lançamento de "O Diabo Veste Prada 2", com Meryl Streep e Anne Hathaway pode redefinir o circuito num ano que pode ser um dos mais rentáveis da História. Até dezembro, teremos o longa do He-Man, "Mestres do Universo" (com Garcia Jr. a gritar "Eu tenho a Força!", nas cópias dubladas), em 4 de junho, e o novo "Street Fighter", em outubro. Fora isso, tem "Star Wars: O Mandaloriano e Grogu", no dia 21 de maio; "Natal Amargo", de Pedro Almodóvar, em 28/5 (sabe-se que o artesão espanhol lota multiplexes); "Toy Story 5", em 18/6; "Supergirl", em 25 de junho; "Minions & Monstros", em 2 de julho; a versão live-action de "Moana", em 9/7; o muito aguardado "Homem-Aranha: Um Novo Dia", no dia 30/7. Inclua ainda longas novos de Steven Spielberg ("Dia D") e Christopher Nolan ("A Odisseia"), além de "Vingadores: Doutor Destino", com Robert Downey Jr., agendado para 17 de dezembro. Em setembro, o Brasil há de reforçar esse coletivo com "Minha Melhor Amiga", juntando as grifes de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli.
No cenário atual, chama atenção entre os dez faturamentos mais robustos de janeiro até hoje a presença de três títulos da China: "Pégasus 3", "Blades of the Guardians" e "Scare Out", do premiado cineasta Zhang Yimou (de "Herói").