Por: Rodrigo Fonseca

Luis Puenzo, diretor de 'A História Oficial', morre aos 80 anos

Luis Puenzo (1946-2026) ganhou o Oscar em 1986 e depois concorreu a láureas de peso, como o Leão de Ouro, antes de deixar os sets de longas, em 2004 | Foto: INCAA/ Divulgação

Conhecido por um falar manso e pela generosidade para ensinar recém-chegados, o diretor Luis Adalberto Puenzo (Buenos Aires, 19 de fevereiro de 1946 – 21 de abril de 2026) morreu neste feriado de Tiradentes, aos 80 anos, em meio à celebração das quatro décadas do Oscar que recebeu por “A História Oficial”. Foi ele quem levou a Argentina para a ribalta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, na década de 1980, mas foi esquecido no momento em que parou de filmar. Morreu cercado do carinho de seus familiares, de falência múltipla dos órgãos, deixando para a filha, Lucía Puenzo, realizadora de “XXY” (2007), a tarefa de ser uma das principais vozes autorais de sua pátria.

As denúncias que Puezo fez da ditadura argentina em “A História Oficial” renderam a ele o Prêmio do Júri Ecumênico do Festival de Cannes de 1985, onde ele concorreu à Palma de Ouro. Em 1989, entrou de vez para a Meca hollywoodiana ao dirigir Gregory Peck (1916-2003) e Jane Fonda em “Gringo Velho”, baseado em um romance do mexicano Carlos Fuentes. Em 1992, foi brigar pelo Leão de Ouro de Veneza com “A Peste”, tendo William Hurt (1950-2022), Raul Julia (1940-1994) e Robert Duvall (1931-2026) numa adaptação do romance homônimo de Albert Camus (1913-1960). Depois, alcançou alguma notoriedade na Europa ao filmar “A Prostituta e a Baleia”, com Aitana Sánchez-Gijón, em 2004. Na sequência, passou a se dedicar apenas à produção, com exceção de exercícios de realização para a TV.


Puenzo foi membro fundador da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina e integrou como membro seu primeiro conselho diretor. Em 1994, participou da redação da atual Lei do Cinema (Lei nº 24.377/94), que estabelece a autonomia do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA) e a forma de financiamento, o que impulsionou a produção de filmes em relação aos anos anteriores, sofrendo impacto apenas com a chegada de Javier Milei ao Poder, em 2023.


A estreia de Luis Puenzo como diretor e roteirista ocorreu em 1973, com “Luces De Mis Zapatos”, um filme infantil estrelado por Norman Briski. Posteriormente, ele participou da direção do segmento “Cinco Años De Vida”, dentro do longa coletivo “Las Sorpresas” (1975). O amor que tinha pelo cinema veio desde criança. Seus pais lhe deram uma câmera de 16 mm de presente de aniversário, quando ainda era guri. Depois da escola militar, começou a trabalhar em uma agência de publicidade como desenhista. Dali estabeleceu as pontes para dirigir.

Sua morte é um dos assuntos mais debatidos desta terça-feira no BAFICI, o festival de Buenos Aires.