Por: por rodrigo fonseca

CRÍTICA / FILME / SUPER MARIO GALAXY - O FILME: Um fliperama vivo

Luigi (numa dublagem supimpa de Manolo Rey) vira sapo para ajudar o dino Yoshi e seu irmão Mario (na voz de Raphael Rossatto) | Foto: Divulgação

Foi "Tron" (1982) que transformou a narrativa cinematográfica num Atari em tela grande, pela primeira vez (... com êxito) na História, comprovando que a estética pautada por jogabilidade dos videogames poderia ser emulada pelo storytelling audiovisual, criando algo visualmente novo para uma mídia pautada pelo registro, em movimento, do real. Desde então, consoles da Sega e da Nintendo, entre outras desenvolvedores de joguinhos, evoluíram a maneira de se divertir com um joystick, indo de gráficos poligonais a um nível geométrico de realismo que parece uma simulação da vida. A fantasia, contudo, não se perdeu.

Ela inspirou (e preservou) o mundo florido do ouriço Sonic, a geografia retangular de "Minecraft" e o universo de fungos mágicos dos bombeiros hidráulicos Mario e Luigi. A partir desta Semana Santa, eles podem dar ao circuito exibidor seu primeiro bilhão de 2026. Nestes tempos onde a frequência às salas de projeção seguem patinando, no refluxo da pandemia e na forte concorrência com streamings, "Super Mario Galaxy: O Filme" é a maior diversão, sem game over, refinando um padrão visual de animação que dialoga com os jogos eletrônicos, os de hoje e o do passado, calçada num herói impecável. Mario é uma mistura de Mickey com Sergio Mallandro.

Coube à Illumination cuidar dele. Fundado por Christopher Meledandri, em 2007, esse estúdio, antes consagrado com "Meu Malvado Favorito" (2010-2024) e seus Minions, firmou sinergia com a Nintendo, ao importar seu personagem mais popular.

Ele volta com mais refinamento plástico e dramatúrgico. O longa-metragem anterior da grife "Mario Bros.", de 2023, rendeu US$ 1,3 bilhão apoiado na habilidade dos diretores Aaron Horvath e Michael Jelenic (de "Os Jovens Titãs Em Ação!") em fundir adrenalina e piada. Eles regressam ao posto em "Galaxy", expandindo a fauna de tipos que cruzam com os protagonistas, com direito ao o piloto Fox McCloud (interpretado pelo galã Glen Powell). A raposa estelar é coadjuvante de luxo na volta de Mario e Luigi - criados há 40 anos pelos designers Shigeru Miyamoto e Gunpei Yokoi.

Encarnados por Chris Pratt e Charlie Day nos EUA (com dublagem supimpa de Raphael Rossatto e Manolo Rey aqui), Mario e Luigi visitam uma vez o Reino dos Cogumelos, de onde a Princesa Peach (dublada pela brilhante Carina Eiras) zarpa atrás de uma possível parente perdida, a Princesa Rosalinda. Uma tartaruga falante das trevas, Júnior (vivido pelo cineasta Benny Safdie) raptou essa aristocrata galáctica a fim de sugar seu poder. A ideia desse quelônio, mau feito pica-pau, é usar as forças de Rosalinda para salvar seu pai, o vilão Bowser (papel em que Jack Black se refestela).

O trabalho de Mario é ajudar Peach, por quem nutre um amor que as patrulhas moralistas da contemporaneidade não foram capazes de podar. A montagem nervosa de Eric Osmond torna essa jornada intergaláctica um fliperama vivo, esbanjando tensão.