Com um currículo de seis décadas de cinema coroado com dois Oscars, oito Globos de Ouro e dez Grammys, Barbra Streisand acrescentará para um troféu de peso a seu rol de vitórias no dia 23 de maio, data em que o Festival de Cannes entregará à atriz, diretora e cantora uma Palma de Ouro Honorária. O reconhecimento da mais prestigiosa mostra competitiva da indústria audiovisual foi anunciado nesta quarta-feira, pouco depois de o evento divulgar que sua segunda Palma de Honra anual ficará com o diretor neozelandês Peter Jackson, responsável pela trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001-2003). Aos 83 anos, Barbra vence não apenas por seu trabalho nas telas, em marcos como “Yentl” (1983), mas por seu ativismo em prol de lutas feministas e do combate à homofobia na defesa da comunidade queer.
“É com um sentimento de orgulho e profunda humildade que me sinto honrada por me juntar ao grupo dos anteriores laureados com a Palma de Ouro Honorária, cujo trabalho me inspira há muito tempo”, afirmou Barbra Streisand, em depoimento publicado no site oficial do festival. “Nestes tempos desafiadores, o cinema tem a capacidade de abrir nossos corações e nossas mentes para histórias que refletem nossa humanidade compartilhada e para perspectivas que nos lembram tanto de nossa fragilidade quanto de nossa resiliência. O cinema transcende fronteiras e políticas e reafirma o poder que a imaginação tem para moldar um mundo com mais compaixão”.
Com sua voz de mezzo-soprano capaz de abrange duas oitavas, Barbra desafiou o machismo ao anunciar a vitória de Kathryn Bigelow na disputa pelo Prêmio de Melhor Direção na festa do Oscar de 2010, quando nenhuma mulher, até ali, havia conquistado tal honraria. Iris Knobloch, presidente do Festival de Cannes, pontua o papel crucial de sua homenageada para a equidade profissional de gêneros, numa declaração ao site oficial do evento: “Este ano quisemos prestar homenagem a uma artista que marcou a história pela força de sua arte e por sua busca intransigente pela liberdade. Como mulher, sinto grande satisfação em poder expressar nossa admiração por essa criadora consumada e cidadã corajosa, cujo exemplo resiste ao tempo e continua a inspirar.”
Tendo sonhado em se tornar atriz desde a infância, Barbra voltou-se primeiro para o canto por necessidade de pagar os boletos. Sua carreira fulgurante, marcada por paixão, carisma e rigor artístico, começou muito cedo, muito rapidamente e de maneira impressionante: triunfou em cabarés aos 18 anos; nos palcos da Broadway aos 20; com seu primeiro álbum aos 21; e diante das câmeras aos 26, em “Funny Girl”, de William Wyler, papel que lhe rendeu seu primeiro Oscar. “Minha Mãe É Uma Viagem” (2012) foi seu último longa-metragem como atriz. Como realizadora, ela não roda longas há 30 anos. Parou depois de “O Espelho Tem Duas Faces”.