A exemplo de 2025, as animações devem conquistar o topo das bilheterias globais. 'Toy Story 5', 'Minions & Monstros' e 'Super Mario Galaxy' estão entre as principais apostas dos grandes estúdios
O filme de maior bilheteria entre todos os longas-metragens concorrentes ao Oscar de 2026 não integra a categoria de Melhor Filme ou Direção, pois está na seara da animação: "Zootopia 2". Seu faturamento está em US$ 1,8 bilhão. É o segundo filme dos EUA de maior receita desde a pandemia, perdendo apenas para "Avatar: O Caminho da Água", que lucrou US$ 2,3 bilhões lá em 2022. Em tons de policial noir, a nova aventura da coelha Hopps e da raposa Nick só perdeu o posto de maior bilheteria de 2025 para um concorrente, por acaso, também animado: "Ne Zha 2 - O Renascer da Alma", da China, que faturou US$ 2,2 bilhões, consagrando-se como a quinta maior renda da História do cinema em venda de ingressos. Esses números redefinem o mercado.
Sabe-se que há muito realizador de peso na seara do live action para lançar trabalhos inéditos até dezembro. Steven Spielberg faz contato imediato com ETs em "Dia D"; Christopher Nolan evoca Homero em "A Odisseia"; e os irmãos Joe e Anthony Russo contam com Robert Downey Jr. na armadura do Doutor Destino em "Doomsday", da franquia "Vingadores". Apesar disso, há quem estime que as três maiores arrecadações de 2026 serão de animadoras/es: "Super Mario Galaxy: O Filme", que sai em 21 de abril; "Toy Story 5", que ficou para 18 de junho; e "Minions & Monstros", que estreia em 2 de julho.
O encanador Mario volta agora cheio de moral depois de seu primeiro longa ter faturado US$ 1,3 bilhão, em 2023. Buzz Lightyear e o xerife Woody também retornam com fome de sucesso, assim como os Minions do malvado favorito, o vilão bondoso Gru.
Essa trinca será antecedida por outro aspirante a arrasa-quarteirão, gestado sob o selo Disney: "Cara de Um, Focinho do Outro" ("Hoppers"), que estreia na semana que vem. A protagonista, Mabel, é uma jovem que ama e protege a natureza. Para impedir que um bosque que abriga os animais seja destruído, ela transfere sua mente para um castor robótico realista. Infiltrada no mundo selvagem, Mabel une forças aos bichos em prol da ecologia.
A Disney arrecada bonito, sempre, mas não anda vivendo a melhor das épocas em termos de reconhecimento, nas premiações do cinema. O Oscar deste ano, a ser entregue no próximo dia 15, reconheceu a rentabilidade de "Zootopia 2", ao incluí-lo entre os concorrentes, mas não tem dedicado muita atenção ao estúdio de Mickey Mouse, mesmo tendo nomeado outra joia de lá, a sci-fi "Elio", que foi um fiasco comercial. A Meca hollywoodiana parece estar mais encantada com os temperos sul-coreanos de "Guerreiras do K-Pop".
Estima-se que ele vá repetir na cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood o mesmo resultado que teve no Globo de Ouro, onde levou estatuetas de Melhor Animação e Melhor Canção, dada a "Golden". O êxito popular do longa na Netflix assegurou-lhe a atenção dos votantes de premiações de peso nos Estados Unidos como o Annie Awards.
Seus dois rivais de maior relevo no Oscar têm espinha dorsal francófona e estão a caminho das salas brasileiras, ampliando o espaço para desenhos e computação gráfica em nosso circuito onde o épico bíblico "Davi - Nasce Um Rei" não cessa de fazer retórica desde janeiro, sem arredar pé dos multiplexes. O primeiro concorrente forte de "Guerreiras do K-Pop" a chegar aqui, neste fim de semana, é "Arco", de Ugo Bienvenu. Com passagens pela Guatemala, pelo Chade e pelo México em sua formação artística como ilustrador e cineasta, Bienvenu mira num amanhã catastrofista. Arco, de 12 anos, vive no ano 2932, num futuro distante onde é possível viajar no tempo através do arco-íris. Durante seu primeiro voo solo num mar de cores, ele sai da rota e, acidentalmente, acaba no ano 2075. Lá, ele conhece Iris, uma jovem cujo mundo está marcado pelas mudanças climáticas, com cidades cobertas por cúpulas, temerosas de um colapso ambiental. Iris ajuda Arco a navegar por esse tempo desconhecido. Sua venda de tíquetes não foi das mais expressivas, beirando os US$ 5 milhões, mas sua fortuna crítica é das mais ardorosas, desde sua exibição em Cannes.