Um dos principais destaques do bonde títulos de DNA brasileiro exibidos na 76ª Berlinale, a produção cearense “Feito Pipa”, de Allan Deberton, venceu o Urso de Cristal da mostra de cuinho infantojuvenil Generation Kplus. O júri composto por Rosa Sophie Krasznahorkai, Vera Marsh, Emir Efe Özeren, Alma Sofia Villanueva Bullemer, Walter Moritz Arndt, Gustav Arnz e Thabani Dabulamanzi justificou a decisão afirmando: “As emoções de cada personagem nos tocaram profundamente. Fomos levados pela emocionante história, como se fizéssemos parte da ação. Questões importantes foram abordadas e merecem mais atenção”.
Astro da novela das seis que anda a bombar na grade da TV Globo neste momento ("A Nobreza do Amor"), Lázaro Ramos é uma das estrelas de “Feito Pipa”. Ele vive Batista, pai viúvo do menino Gugu (o ricochete baiano Yuri Gomes), que, aos 11 anos, demostra destrezas de craque com a bola no pé. No entanto, a identificação do garoto com a cultura queer atiça homofobias contra ele e seu lar, que anda alquebrado depois de sua avó amada, Dilma (Teca Pereira), dar sinais de perda de memória. A direção de Allan Deberton (de "Pacarrete) assegura a cada integrante de sua trupe um pavimento de afetividade como raro se vê num debate sobre intolerâncias.
“Uma figura como Batista, em sua relação como Gugu, revela um lugar massificado de dor que vem da não aceitação. Ele não é o machista homofóbico típico. Ele é um sujeito que ama o filho. Mas como o garoto não se encaixa no que uma sociedade intolerante espera dele, Batista não sabe como lidar com o menino”, disse Deberton ao Correio da Manhã. “A partir dessas personagens, o filme propõe uma conversa sobre aceitação”.
A premiação oficial da Berlinale será anunciada ainda neste sábado.