Por: Rodrigo Fonseca

Prêmio para a série brasileira 'Emergência 53' na Berlinale

"Emergência 53" é uma série médica sobre saúde volante que tem Andrucha Waddington e Claudio Torres na direção | Foto: Globoplay/ Conspiração

Rolou prêmio para o audiovisual brasileiro na Berlinale, beeeeem antes de o festival chegar ao fim, à luz da excelência de “Emergência 53”, série Original Globoplay criada e produzida pela Conspiração, que venceu o Studio Babelsberg Production Excellence Award. A láurea surgiu este ano no Berlinale Series Market. O anúncio foi feito nesta terça-feira, por Marcus Loges, Diretor Executivo do Studio Babelsberg, durante cerimônia realizada no Lounge do CinemaxX, na capital alemã. Com estreia prevista para este ano no streaming do Plim-Plim, essa narrativa serializada acompanha o cotidiano e os desafios de profissionais de Saúde que trabalham em uma unidade especial do serviço móvel de urgência. A criação é de Claudio Torres, Márcio Maranhão e Andrucha Waddington. O roteiro é assinado por Fábio Mendes e Torres, que divide a direção com Andrucha. O elenco reúne Valentina Herszage, Heloisa Jorge, Yara de Novaes, Emílio Dantas, Ana Hikari, Jaffar Bambirra, Raquel Villar, William Nascimento e Emílio de Mello, além de participação especial de Fernanda Montenegro.


“É uma emoção muito grande receber este prêmio de séries no Festival de Berlim, que sempre valorizou e enalteceu o cinema brasileiro, premiando ‘Central do Brasil’ e ‘Tropa de Elite’ com o Urso de Ouro e selecionando muitos outros filmes. ‘Emergência 53’ é uma série sobre nossa realidade e direcionada para o público brasileiro, e é gratificante vê-la se conectar com uma audiência também fora do Brasil”, comemora Alex Medeiros, Head de Conteúdo de Ficção do Globoplay e Globo Filmes que recebeu o prêmio ao lado de Renata Brandão, CEO da Conspiração, produtora da série.


Foi o terceiro ano seguido em que uma série Original Globoplay foi exibida em Berlim, depois de “Betinho - No Fio da Navalha” e “Reencarne”. Em 2018, a emissora carioca foi homenageada no festival, com um debate sobre suas linhas de dramaturgia.

Paralelamente ao seu canteiro dedicado à TV e às plataformas, a Berlinale gerou polêmica nesta terça ao falar de etarismo e abuso no longa “Queen at Sea”, de Lance Hammer, que é fotografado pelo brasileiro Adolpho Veloso, indicado ao Oscar por “Sonhos de Trem”. Na trama, vinda do Reino Unido, Anna Calder-Marshall e Tom Courtenay têm interpretações de doer na alma, no papel de um casal maculado pelas asperezas da velhice. A personagem de Anna tem demência avançada e sua filha (papel de Juliette Binoche) quer protege-la de uma forma que atinge desrespeitosamente seu padrasto (Courtney).

A única expressão criativa da América Latina a disputar o troféu dourado germânico com um longa que seja ambientado no continente e estrelado por um elenco de nuestros Hermanos é o mexicano Fernando Eimbcke. Ele entra no páreo com “Moscas”, no qual uma mulher cria laços de afeto com um garotinho do qual se aproximou por um vetor nada sentimental: a pobreza. A projeção será nesta quarta.

Caberá a dois longas-metragens com CEP nos Estados Unidos (um deles de DNA brasileiro) dar o fecho na competição pelo Urso de Ouro, nesta sexta: o documentário “YO (Love Is A rebellious Bird), de Anna Fitch e Banker White, e o suspense “Josephine”, de Beth Araújo, americana cujo pai é paulista. Este último foi importado do Festival de Sundance, nos EUA, de onde saiu coroado de láureas. O mais próximo de um “favorito” em terras berlinenses é “Rose”, de Markus Schleinzer, da Áustria. Impõe-se nele a atuação da alemã Sandra Hüller (“Anatomia de uma Queda”) em “Rose”, no papel de uma mulher que se fez passar por homem, na Prússia do século XVII, para assegurar seu direito a terras.

Dia 22 a maratona cinéfila da Alemanha chega ao fim.