Por: Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

CRÍTICA / FILME / MARTY SUPREME: Excessos em pingues, perseveranças em pongues

Marty Supreme | Foto: Diamond Films

Josh Safdie é uma espécie de John Cassavetes ligado no 220. Fala de almas danadas, quase sempre acossadas por ciladas financeiras, mas que firmam uma épica sem eira nem beira na rua, como fazia o mítico diretor de "A Morte de um Bookmaker Chinês" (1976), só que fora das CNTPs do cinema moderno.

Seu gingar com a câmera é trincado, tudo rápido, no corre. Numa carreira construída a partir de 2002, quase sempre em parceria de direção com o irmão ator (e realizador premiado, Benny Safdie, de "Smashing Machine"), Josh gosta de retratar pessoas fora do eixo de repouso, seja moral ou espiritual. Fez isso com Robert Pattinson em "Bom Comportamento" (2017) e com Adam Sandler no bestial "Joias Brutas" (2019), obra-prima absoluta do thriller no século XXI.

Agora, com Timothée Chalamet, o cineasta se concentra num estudo sob obsessão. A partir de elementos reais da vida do craque de tênis de mesa Marty Reisman (1930-2012), seu novo e taquicárdico conto sobre sobrevivência abraça o mote da perseverança ao narrar a ciranda de loucuras de um raqueteiro profissional que adora paquerar mulher casadas e não aceita perder.

A década de 1950 que o gerou é igualmente avessa a derrotas. À luz em ebulição da fotografia de Darius Khondji, Josh faz uma crônica daquele tempo e nos dá um herói torto, mas arrebatador. A participação do diretor Abel Ferrara como um marginal espumando de raiva é magistral. (R. F.)