Crítica internacional celebra performance irreverente do brasileiro no remake do clássico besteirol que fez sucesso nos anos 1990
Selton Mello vive um momento singular em sua carreira. Depois de integrar o elenco de "Ainda Estou Aqui", filme de Walter Salles que conquistou o primeiro Oscar do Brasil e o projetou mundialmente, o ator brasileiro agora marca presença em "Anaconda", remake do clássico besteirol de 1997 que estreou simultaneamente em todo o planeta neste Natal. "É a primeira vez que posso dizer que um filme meu estreia no mesmo dia, no mundo todo", comemorou o ator e diretor mineiro, ao comentar sua presença no circuito global de cinema.
A repercussão internacional da performance de Selton tem sido notável. Pete Hammond, do prestigiado Deadline, escreveu que o ator brasileiro "rouba cenas" como o tratador de anacondas, destacando sua capacidade de se impor mesmo dividindo a tela com estrelas consolidadas de Hollywood como Jack Black e Paul Rudd. No The New York Times, Beatrice Loayza foi além, afirmando que Mello traz uma "energia bizarra" ao filme e que o restante dos personagens simplesmente não consegue acompanhar o brasileiro. David Ehrlich, do IndieWire, considerou a contribuição de Mello "o trunfo de 'Anaconda'", ressaltando a mudança radical do ator ao partir de papéis sérios e dramáticos para uma comédia leve e excêntrica. Veículos como The AU Review, JoBlo e The Guardian também destacaram o brasileiro como um dos pontos altos da produção.
No filme, Selton interpreta o excêntrico Carlos Santiago, um domador de cobras que acompanha dois fãs obcecados pelo original de 1997 em uma aventura pela floresta amazônica. O diretor Tom Gormican enfatiza que ter alguém como o brasileiro era fundamental para conferir autenticidade à produção: "O filme é uma espécie de homenagem ao Brasil, e foi importante ter alguém como Selton para que o projeto ficasse ainda mais genuíno".
O ator exalta a liberdade criativa concedida durante as filmagens e agradece a receptividade calorosa dos colegas de elenco. Relatos de bastidores descrevem que Mello foi tratado como realeza no set. Jack Black e Paul Rudd revelam admiração mútua. "Tinham momentos em que ficávamos admirando ele atuar em takes extras. 'Deixe ele brilhar', pensávamos", disse Black.
Selton resume esse momento histórico com clareza: "Fizemos história com 'Ainda Estou Aqui' e agora o mundo está de olho na gente". A estratégia de equilibrar produções independentes com grande potencial crítico e filmes com apelo comercial massivo, defendida pelo próprio ator, revela-se eficaz: "Sempre fiz um 'mix' entre produções independentes, com grande potencial crítico, e filmes com grande potencial de bilheteria. Nossos trabalhos estão sempre nos preparando para próximos". Com nome consolidado com ator e realizador no cinema brasileiro, o carismático Selton agora colhe os frutos de décadas de trabalho consistente ao conquistar espaço definitivo no cinema global.