Presente em 'Jumanji', 'Kung Fu Panda' e 'Super Mario Bros.', o astro de 'Minecraft', um dos fenômenos do ano, pode ampliar o êxito de 'Anaconda', ao lado de Selton Mello
Tá em oferta, por apenas R$ 9,90, o aluguel de "Querido Papai Noel" ("Dear Santa", 2024) na Prime Video da Amazon, numa pechincha rara para o filme natalino mais corajoso da década, que só pecou por não ter entrado em circuito exibidor, apostando diretamente no streaming. O percado é mortal quando se percebe que seu Bom Velhinho é Jack Black, mina de ouro viva, que, a partir deste 25 de dezembro, pode fazer de "Anaconda" um fenômeno de bilheteria. Um a mais em seu recorde recente.
Para o público brasileiro, o maior chamariz dessa reatualização de tom cômico do terror trash de 1997 (com Jennifer Lopez e Jon Voight) é a escalação do ator mineiro Selton Mello, que, nestas bandas, coleciona blockbusters, a se destacar "Ainda Estou Aqui" (com 5,8 milhões de ingressos vendidos... e um Oscar) e "O Auto da Compadecida 2", com 4,4 milhões de pagantes. Lá fora, entretanto, apesar da curiosidade por Selton e do forte apelo de Paul Rudd (o Homem-Formiga da Marvel), Black é a maior diversão, e a mais rentável. "Venho de um mundo em pedaços, onde sou avesso a armas de fogo, rejeitando a violência. Eu prefiro armas laser", disse Black ao Correio da Manhã, quando despontou como a voz nos EUA de "Kung Fu Panda", uma franquia milionária.
Este ano, ele ajudou outra grife de êxito comercial invejável a nascer: "Um Filme Minecraft". O longa-metragem de Jared Hess, baseado no videogame homônimo, é, até o momento, a quarta maior receita cinematográfica de 2025, com um faturamento estimado em US$ 958 milhões. Seu maior apelo é a conexão o joguinho eletrônico que alfabetizou gerações de crianças nos últimos 14 anos, mas a figura de Black, em estado de graça, ajuda um bocado. Seu dublador, Paulo Vignolo, amplia sua graça.
Ciente de que anda impossível salvar filmes de super-heróis baseados em HQs da falência anunciada, vide o desastre comercial do último "Capitão América" e do "Quarteto Fantástico", a Meca americana do cinemão tem constatado que os games podem ser a maior (e mais rentável) diversão. "Super Mario Bros." (2023) faturou US$ 1,3 bilhão quando se esperava bem menos dele, e Black está lá, como o vilão, Bowser. Não por acaso, sua sequência, "Super Mario Galaxy", estreia em 3 de abril, com fome de bilhões.
Com uma parte II já encomendada, para 2027, "A Minecraft Movie" veio para ficar. Custou alto (US$ 150 milhões), mas já faturou alto também... beeeeem alto. Sua base é a dramaturgia que nasceu para ser jogada num projeto de 2011, bolado pelo Mojang Studios, que refaz a realidade a partir de uma geometria de cubo. Há nele algo do "Jumanji" (1995) original: um clima pueril de peripécias sem fim. Um tempero de bom humor em pitadas generosas amplia o paladar de uma narrativa de correrias, que tem a função de atrair plateias mirins, de dentes de leite, para descobrir o cinema e aprender a amá-lo. Vale lembrar que "Jumanji", em sua versão 2020, tem Black no elenco
A premissa de "Minecraft" é a do desajuste. Há um grupo de pessoas solitárias em cena: os irmãos Natalie e Henry (Emma Myers e Sebastian Hansen); a corretora e fã de animais Dawn (Danielle Brooks); e o ex-craque de videojogos "The Garbage Man" Garrison (Jason Momoa). Por razões distintas, eles esbarram com uma mina que os transporta para o mundo mágico de Overworld, onde tudo é cúbico. Lá, encontram um humano perdido, Steve (Black), em busca de meios para voltar à Terra. Ele finge pactuar com as criaturas que dominam aquela realidade do avesso, mas acaba ajudando a turma recém-chegada a encontrar um veio de voltar, numa dinâmica de correrias com viradas sucessivas.
Corre-se um bocado também no supracitado "Querido Papai Noel", sob a direção de Peter Farrelly. Fazia tempo que o ator de "Escola do Rock" (2003) não atuava de forma tão hilária. Ele vive um diabo trapalhão. Quando um menino envia sua lista de desejos natalinos ao Bom Velhinho com um erro de grafia crucial, o tal demônio chega à Terra para causar estragos nas festas de fim de ano.
Se o papo é correria, Black protagoniza uma hilária em "Anaconda", com os restos mortais de um javali preso ao corpo. Dirigido pelo peruano Luis Llosa, o "Anaconda" dos anos 1990 custou US$ 45 milhões e arrecadou US$ 137 milhões, estabelecendo JLo como estrela das telas, para além de sua carreira como cantora. Ela integrava um grupo de expedicionários em busca de tesouros da fauna brasileira que eram atacados por uma serpente quilométrica... e cheia de fome.
Na releitura de 2025, dirigida por Tom Gormican, Doug (Black) e Griff (Rudd) são amigos desde crianças e sempre sonharam em refazer o filme favorito deles: o "clássico" cinematográfico de Llosa. Quando uma crise de meia-idade baixa no ar, eles decidem tentar e seguem para os confins da Amazônia para começar as filmagens. O personagem de Selton, Santiago Braga, manja de répteis e vai ajuda-los. Mas o bote que eles esperavam dar na própria sorte vai pro brejo depois que uma anaconda GG de verdade aparece, transformando o set caótico e cômico em um convite à morte.
Depois do Natal, com seu lançamento de gala, Hollywood vai saber o quanto Black amplia as receitas de um bom caça-níqueis.