Mostra sobre IA na Caixa Cultural encara o medo do levante tecnológico das máquinas ao exibir 'O Exterminador do Futuro', que, há 41 anos, inaugurou o debate das mentes artificiais
Usar o ChatGPT e miolos digitais afins para realizar tarefas do dia é algo que geral quer, mas o medo de as máquinas que pensam por si só ganharem autonomia... e tomarem a Terra da gente... está aí por todo lado... desde 1984. Esse temor foi plantado por "O Exterminador do Futuro" ("Terminator", 1984), que vai celebrar suas quatro décadas (41 aninhos, para ser preciso) neste sábado, às 18h, na Caixa Cultural.
O longa-metragem não poderia faltar, de forma alguma, numa retrospectiva que se chama "Do Sonho À Realidade: Cinema E Inteligência Artificial", em cartaz até o próximo dia 9 no aparelho cultural do Centro do Rio. Nesta sexta-feira, às 15h30, sua programação contempla "Do Alem" (Stuart Gordon, 1986), abrindo tela, às 17h30, para "Robocop - O Policial do Futuro" 1987), de Paul Verhoeven. Neste 1° de novembro, antes de Arnold Schwarzenegger metralhar a raça humana, rola, às 14h, o magistral "THX 1138", dirigido por George Lucas, em 1971. Após a projeção, às 16h, será realizada a mesa de debate "IA e a Sociedade", com Bianca Kremer e Nina da Hora, com mediação de Maria Clara Parente. Às seis do sabadão, Schwarzie entra em campo.
Esse clássico sci-fi foi lançado em 26 de outubro de 1984 nos EUA. O cineasta por trás de "Terminator", o artesão autoral canadense James Francis Cameron, completou 71 anos em agosto e foi tema de uma exposição na Cinemateca Francesa, em Paris. Em poucos dias, ele dá o ar de sua graça na telona, com a parte III da franquia "Avatar" (2009-2022), cujos tomos anteriores podem ser conferidos no Disney .
Sinônimo vivo de bilhões e também de projetos engajados em causas ambientais, Cameron esteve no Brasil em 2010, visitando Belo Monte, no Pará, a fim de poder estudar os riscos de sua usina hidrelétrica para o ecossistema. "Avatar" foi idealizado pelo cineasta como um tratado de preservação da Terra, a partir do cuidado com a Natureza. Ele traz uma reflexão sobre o nosso amanhã desde que lançou o primeiro "Exterminador…", apostando numa distopia apocalíptica. Em sua confecção, ele acreditou que um halterofilista conhecido nas telas por interpretar o herói de pulps Conan o Bárbaro, pudesse virar um dos mais icônicos personagens do cinema de gênero pop. Foi ideia dele e de sua então parceria, a produtora Gale Anne Hurd, convocar o ator austríaco naturalizado americano Arnold Schwarzenegger para encarnar o androide egresso de 2029. Deu certo.
"Ali, emplacamos um filme de baixo orçamento (cerca de US$ 6,4 milhões), que aconteceu moderadamente, mas fez forte boca a boca pela originalidade, abrindo espaço para uma sequência na qual eu pude ousar mais", disse Cameron ao Correio da Manhã, num papo na Berlinale de 2017, lembrando que voltou a filmar com o amigo da Áustria em "True Lies", sucesso de 1994 que hoje comemora 30 anos.
Schwarzenegger chegou a ser cotado para viver o Dr. Octopus na versão nunca filmada de "Homem-Aranha" que Cameron idealizou em 1992. Falava-se de Leonardo DiCaprio para o papel de Peter Parker e até do hoje sumido Edward Furlong, que viveu John Connor em "O Exterminador do Futuro 2" (1991), mas esse projeto nunca saiu. Cameron deixou "True Lies" diretamente pra filmar "Titanic", cujo atraso na produção fez com que ele abrisse mão de seu cachê como diretor para compensar o estúdio pelos problemas que trouxe.
"A saga do 'Exterminador' é o documento de uma época", disse Cameron na Berlinale de 2017.
Laureado com o Grande Prêmio no Festival de Avoriaz, na França, em 1985, "O Exterminador do Futuro" faturou cerca de US$ 78 milhões nas bilheterias. Disfarçado de humano, o assassino robótico conhecido como o Exterminador (Schwarzenegger, dublado originalmente na TV brasileira, no SBT, por Jorgeh Ramos e redublado por Cassius Romero) viaja ao passado, de 2029 a 1984, para matar a jovem Sarah Connor (Linda Hamilton). O motivo: ela será a mãe do líder da resistência contra as IAs que controlam a Terra. A fim de proteger Sarah, os rebeldes enviam o guerreiro Kyle Reese (papel de Michael Biehn), que divulga a chegada do Skynet, sistema de inteligência maquínico responsável por detonar um holocausto nuclear.
A caçada do Exterminador é estruturada por Cameron em perseguições alucinantes. A trilha sonora é de Brad Fiedel.
No domingo, a mostra da Caixa Cultural exibe, às 15h, "Metropolis" (1927), de Fritz Lang. Na semana que vem, na terça, às 17h, a boa é "Solaris" (1972), de Andrei Tarkovski.