Agrande novidade do longa é a estreia de Mauro Sousa nas telonas. Ao contrário do que alguns possam pensar, ele não sabia do projeto e acabou sendo surpreendido não apenas com a produção, mas principalmente com o convite para dar vida ao pai nos cinemas. "Eu realmente nunca imaginei que isso pudesse acontecer, muito menos que eu pudesse ser o ator que iria interpretá-lo. Então, para mim, foi realmente um susto, uma grande surpresa. A ficha começou a cair quando recebi a ligação do Pedro [Vasconcelos]", disse.
Ele também contou como foi o processo para entrar no personagem e afirmou ter feito uma viagem às memórias de quando era criança, mostrando um pouco ao público dessa figura do Mauricio enquanto pai. "Eu trouxe muito das minhas referências do Mauricio. Dos trejeitos físicos até a maneira como eu acho que ele lidava com as situações, sabe? Postulação de voz, comportamentos, de sentimentos, né? De saber que meu pai poderia ser mais introspectivo em alguns algumas situações, mais extrovertido em outras, mais isso ou aquilo. Eu tive um momento de muitas lembranças, muita nostalgia de realmente lembrar muito do meu pai, de toda a relação que eu tive com ele na infância", contou.
Porém, ele quis explorar mais o personagem, trazendo sua própria versão e evitando ao máximo parecer uma imitação. "Quis trazer também um pouco da minha experiência, minha técnica enquanto ator. Isso estava muito claro na minha cabeça, até pelo direcionamento do Pedro. Acho que isso não teria nada a ver com o filme.
Além de dar vida ao próprio Mauricio no filme, Mauro tem sua vida intrinsecamente liga à Mauricio de Sousa Produções [MSP]. Ele cresceu nesse meio e serviu de inspiração para a criação do Nimbus, um dos carismáticos membros da Turma da Mônica. Também atua como diretor-executivo da MSP Estúdios. Então, para Mauro, poder ver essa recriação de cenários tão marcantes de sua vida foi uma experiência única. "Tive esse sentimento de nostalgia, de lembrar do meu pai, e acho que outras pessoas vão sentir isso também. A nostalgia é uma viagem gostosa e pudemos voltar a uma época que tinha um certo romantismo, em que o tempo era outro, as interações eram diferentes", destaca.
Uma das missões mais difíceis na hora de contar a história de um ícone dos gibis é saber perpassar o amor pelos quadrinhos para a linguagem cinematográfica. Mas por ser muito fã das histórias em quadrinhos, Pedro Vasconcelos tentou dirigir o filme como se fosse um grande gibi em movimento, apostando em poucas movimentações das câmeras.
"O conceito para fazer o filme, na minha cabeça, era assim: 'Como o Mauricio contaria essa história se ele fosse o diretor do filme? Como ele enquadraria as cenas? Como ele dirigiria os atores, como é que ele contaria essa história?'. Então, uma das primeiras coisas que eu entendi é que devia fazer o filme todo em quadrinhos, ou, neste caso, em quadrões, né? A câmera não mexe em momento nenhum do filme. Não sei se ficou perceptível para o grande público, mas a gente tentou ao máximo deixar a câmera travada para que houvesse a relação que nós temos com Mauricio, que é através dos seus gibis. Então, eu queria recriar aquele astral dos gibis, eu queria o mesmo enquadramento, que os atores interpretassem como os personagens dele agem dentro dos quadrinhos. Eu queria que fosse uma história contada em quadrinhos, né? E que tivesse o máximo possível do humor, da leveza, da criatividade do Maurício. Acho que a gente chegou no lugar legal. Eu queria que as pessoas, quando vissem o filme, tivessem mais ou menos a mesma sensação gostosa que a gente tem ao ler um gibi", revelou.
Por fim, é costume do próprio Mauricio de Sousa chegar a eventos e já perguntar quantas pessoas no recinto aprenderam a ler com a Turma da Mônica. Dessa vez, porém, o filme pode representar o primeiro contato de muitas crianças com a obra do quadrinista. "Acho que, no final das contas, essa era a intenção do meu pai. Ele se reuniu com o Pedro [Vasconcelos] para falar sobre o roteiro e depois comentou comigo que a condição para fazer o filme era que fosse uma obra para todas as idades, para a família inteira. Então, se esse for o primeiro contato que as crianças vão ter com o cinema, acho que vai ser um objetivo cumprido, porque o meu pai queria um filme leve, gostoso, divertido... Para a família inteira. Se o primeiro contato das crianças com o universo da Turma da Mônica fora através do filme, acho que será uma maneira muito bonita de conhecer o Mauricio de Sousa", disse.