Por: Affonso Nunes

'Ainda Estou Aqui' domina o Prêmio Grande Otelo com 13 troféus

O realizador Walter Salles com o trófeu de Melhor Direção | Foto: Academia Brasileira de Cinema/Divulgação

O cinema brasileiro celebrou uma noite histórica nesta quarta-feira (30) com a entrega do Prêmio Grande Otelo 2025, que consagrou "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, como o grande fenômeno da temporada. O drama protagonizado por Fernanda Torres e Selton Mello conquistou nada mais nada menos do que 13 troféus, estabelecendo um novo marco na premiação mais importante do audiovisual nacional. A cerimônia, realizada na Cidade das Artes Bibi Ferreira, na Barra da Tijuca, reuniu o que há de mais representativo na produção cinematográfica contemporânea do país.

A consagração de "Ainda Estou Aqui" reflete não apenas a qualidade técnica e artística da produção, mas também seu impacto global. O filme, que narra a história de Eunice Paiva durante os anos de chumbo da ditadura militar, conquistou as principais categorias da noite: Melhor Longa-metragem Ficção, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Ator de Longa-metragem, além de reconhecimentos técnicos em Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Fotografia, Efeito Visual, Figurino, Trilha Sonora, Direção de Arte, Maquiagem e Som. Esta amplitude de premiações demonstra a excelência da obra em todos os aspectos da realização cinematográfica.

Fernanda Torres, ao receber o troféu de Melhor Atriz, emocionou-se ao relembrar a jornada internacional do filme. "Ainda Estou Aqui começou no Rio de Janeiro e me sinto muito realizada tendo dado a volta ao mundo com Walter, Selton, com o filme, com Eunice para estar aqui hoje, de volta. Eu estou muito feliz de ir para casa com o Grande Otelo!", declarou a atriz, sintetizando o sentimento de uma produção que levou o cinema brasileiro aos principais festivais mundiais e conquistou o primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional da história do país.

O reconhecimento se estendeu a outras produções significativas da safra 2024. Pedro Freire foi duplamente premiado por "Malu", vencendo nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Primeira Direção de Longa-metragem, confirmando o surgimento de uma nova geração de cineastas brasileiros. Juliana Carneiro da Cunha também foi reconhecida como Melhor Atriz Coadjuvante pelo mesmo filme, enquanto Ricardo Teodoro levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por "Baby".

O audiovisual seriado brasileiro também teve seu momento de destaque. Gabriel Leone foi laureado como Melhor Ator de Série de Ficção por sua interpretação em "Senna", a produção da Netflix que retrata a vida do tricampeão mundial de Fórmula 1. Adriana Esteves conquistou o prêmio de Melhor Atriz de Série de Ficção por "Os Outros", confirmando a maturidade e diversidade da produção nacional para plataformas digitais.

Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, contextualizou a importância desta edição durante a abertura da cerimônia. "Este foi um ano muito especial para o nosso cinema e, na noite de hoje, vamos celebrá-lo com todos que o realizam. Não importa quem ganha ou perde, todos somos vencedores porque acreditamos na força das nossas imagens e sonhos, e não desistimos nunca", afirmou, fazendo referência direta ao Oscar conquistado por "Ainda Estou Aqui". Com bom humor característico, ela completou: "Em 2025, fizemos um golaço em pleno Carnaval e, para ser justo com Waltinho, foi um gol de Garrincha".

A cerimônia, apresentada por Barbara Paz e Isabel Fillardis, distribuiu 30 prêmios contemplando longas-metragens, curtas e séries brasileiras. O processo democrático da premiação envolveu mais de 300 profissionais indicados, representando mais de 30 longas-metragens brasileiros, 5 produções ibero-americanas, 19 curtas nacionais e 20 séries. A diversidade dos indicados reflete a vitalidade e pluralidade da produção audiovisual contemporânea do país.

O evento também prestou homenagens significativas à trajetória do cinema brasileiro no cenário mundial, relemebrando desde os primeiros atores brasileiros em Hollywood até as conquistas recentes em festivais como Cannes, Berlim e Veneza. A produtora LC Barreto Produções Cinematográficas, responsável por mais de 80 títulos ao longo de sua história, recebeu reconhecimento especial por sua contribuição fundamental ao desenvolvimento da cinematografia nacional.

A trilha sonora da noite ficou por conta da banda Primavera nos Dentes, que interpretou canções emblemáticas do cinema brasileiro. Com a vocalista Duda Brack, o quinteto apresentou "O que é que a baiana tem", de Dorival Caymmi, eternizada por Carmen Miranda; "Bye Bye Brasil", composta por Chico Buarque para o filme de Cacá Diegues; e "É preciso dar um jeito, meu amigo", de Erasmo Carlos, que se tornou símbolo da atual fase do audiovisual brasileiro através de "Ainda Estou Aqui".

O Prêmio Grande Otelo é organizado e votado pelos próprios profissionais do setor, uma forma da própria classe celebrar o seu trabalho e dar o devido reconhecimento ao talento de seus profissionais. O processo de definição dos vencedores é dividido em duas etapas: indicação e premiação. A partir de 2004 a votação passou a ser feita via internet, pelos sócios da Academia, que recebem uma senha eletrônica para votar remotamente.

 

VENCEDORES – PRÊMIO GRANDE OTELO 2025

MELHOR LONGA-METRAGEM FICÇÃO - AINDA ESTOU AQUI, de Walter Salles

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO - 3 OBÁS DE XANGÔ, de Sérgio Machado

MELHOR LONGA-METRAGEM ANIMAÇÃO - ARCA DE NOÉ, de Sérgio Machado e Aloís Di Leo

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL - CHICO BENTO E A GOIABEIRA MARAVIOSA, de Fernando Fraiha

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO - GRAND TOUR (Portugal), de Miguel Gomes. Indicação: Academia Portuguesa de Cinema

MELHOR DIREÇÃO - WALTER SALLES por Ainda Estou Aqui

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM - PEDRO FREIRE por Malu

MELHOR ATRIZ DE LONGA-METRAGEM - FERNANDA TORRES como Eunice Paiva por Ainda Estou Aqui

MELHOR ATOR DE LONGA-METRAGEM - SELTON MELLO como Rubens Paiva por Ainda Estou Aqui

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DE LONGA-METRAGEM - JULIANA CARNEIRO DA CUNHA como Dona Lili por Malu

MELHOR ATOR COADJUVANTE DE LONGA-METRAGEM - RICARDO TEODORO como Ronaldo por Baby

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA - ADRIAN TEIJIDO, ABC, por Ainda Estou Aqui

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL - PEDRO FREIRE por Malu

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO - MURILO HAUSER e HEITOR LOREGA - baseado no livro “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva - por Ainda Estou Aqui

MELHOR MONTAGEM - AFFONSO GONÇALVES, ACE, por Ainda Estou Aqui

MELHOR EFEITO VISUAL - CLAUDIO PERALTA por Ainda Estou Aqui

MELHOR SOM - LAURA ZIMMERMAN e STÉPHANE THIÉBAUT por Ainda Estou Aqui

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE - CARLOS CONTI por Ainda Estou Aqui

MELHOR FIGURINO - CLAUDIA KOPKE por Ainda Estou Aqui

MELHOR MAQUIAGEM - MARISA AMENTA e LUIGI ROCHETTI por Ainda Estou Aqui

MELHOR TRILHA SONORA - WARREN ELLIS por Ainda Estou Aqui

MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE FICÇÃO, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING - SENNA - TEMPORADA ÚNICA, de Vicente Amorim

MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE DOCUMENTÁRIO, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING - FALAS NEGRAS - 4ª TEMPORADA, de Antonia Prado

MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE ANIMAÇÃO, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING - IRMÃO DO JOREL - 5ª TEMPORADA, de Juliano Enrico

MELHOR ATRIZ - SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING - ADRIANA ESTEVES como Cibele por Os Outros

MELHOR ATOR - SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING - GABRIEL LEONE como Senna por Senna

MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO - HELENA DE GUARATIBA, de Karen Black

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO - VOCÊ, de Elisa Bessa

MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO - A MENINA E O POTE, de Valentina Homem e Tati Bond

VOTO POPULAR - MILTON BITUCA NASCIMENTO, de Flavia Moraes (documentário)