Por: Rodrigo Fonseca | Especial para o Correio da Manhã

O amor está no ar em mostra de filmes no Estação

Eu Sei que Vou te Amar | Foto: Divulgação

Nada é mais infalível para antecipar a comemoração cinéfila do Dia dos Namorados do que "Um Lugar Chamado Notting Hill", fenômeno de bilheteria que faturou US$ 364 milhões em 1999, à luz do chamego entre uma estrela hollywoodiana cansada de conexões fluídas (Julia Roberts) e um livreiro britânico avesso ao agito (Hugh Grant). O sucesso dirigido por Roger Michell será projetado no Estação NET Botafogo nesta quarta-feira às 18h35, como abre-alas pop para a mostra "Eu Sei Que Vou Te Amar", que festeja a data anual do Cupido.

Na sequência rola uma sessão das nove de "Orgulho e Preconceito" (2005), de Joe Wright, para seguir numa vibe inglesa do benquerer. Vai haver projeção dessa maratona de beijo na boca até o dia 18, com vez também para o Estação NET Gávea, com "10 Coisas Que Odeio em Você" (1999), de Gil Junger, já nesta quinta, às 20h30. Tem estrelas do mais alto quilate no cardápio, mas o filé à mesa é a autoralidade. A partir de amanhã, um desfile de filmes encampados por cineastas de tenazes miradas sobre os afetos (e seu gêmeo maligno, o abandono) hão de desfilar por telas do Grupo Estação. Arnaldo Jabor (1940-2022) é um dos diretores autores escalados. Nem haveria como ficar de fora, afinal, o título desse festival de paixões é xará de um blockbuster cult rodado por AJ e lançado em 1986, quando rendeu o Prêmio de Melhor Interpretação à atriz Fernanda Torres, no Festival de Cannes.

 

Luz, câmera, romance...

Amor à Flor da Pele | Foto: Divulgação

Para atrair holofotes para o lírico parlatório com Fernanda e Thales Pan Chacon, que vendeu 1,7 milhão de ingressos em sua carreira comercial, há quase quatro décadas, o Estação põe "Eu Sei Que Vou Te Amar" para rodar no próprio Valentine's Day carioca: 21h deste 12 de junho. A programação desta quinta inclui: "O Ano Passado em Marienbad" (Alain Resnais, 1961), às 15h; "Casablanca" (Michael Curtiz, 1942), às 16h55; e "Amor à Flor da Pele" (Wong Kar-Wai, 2000), às 19h.

Este é um dos maiores hits do Estação, tendo lotado salas há duas décadas. Nele, Tony Leung ganhou o prêmio de Melhor Ator em Cannes por um enredo de (des)amor abosluto, que usa Nat King Cole numa trilha sonora de fino de fossa para falar sobre uma paixão resultante de um adultério. Christopher Doyle, seu diretor de fotografia, explicou ao Correio da Manhã o que havia de tão atraente na saga de duas pessoas traídas por seus cônjuges que ensaiam um namoro no rastro da decepção sentimental.

"Kar-Wai investia na percepção de que melodrama é sexo", disse Doyle, via Zoom. "Tentamos voltar ao desejo, sempre passando pelo corpo. Sempre pensamos os filmes que fizemos como rascunhos de algo que a gente buscava descobrir, nunca como respostas, como presunções. Estávamos sempre atentos ao ritmo, porque o drama pede uma melodia, mas estávamos atentos também a questões que passam pelos afetos, pelo querer, pelo entendimento daquilo que nos leva a gostar de alguém".

O maior tesouro dessa seleção é o resgate de uma love story brasileira que vai completar 60 anos e carrega o título de comédia romântica nº 1 deste país: "Todas As Mulheres Do Mundo", de Domingos de Oliveira (1935-2019).

Lançado em 1966, o longa-metragem é centrado na história de amor entre o jornalista e dramaturgo Paulo (Paulo José) e a professora Maria Alice (Leila Diniz), numa ciranda de flertes e traição. É um dos raros exemplares do gênero a unir sucesso popular e prestígio de crítica. Foi laureado com o troféu Candango do Festival de Brasília de Melhor Filme, com outros quatro prémios e mais uma menção honrosa para Leila. O projeto nasceu como um gesto de "volta para mim" de Domingos para a atriz, numa reação desesperada ao fim do relacionamento entre eles. O pleito não deu certo, mas rendeu uma bela amizade e um filme inesquecível. Terá exibições no sábado, às 11h, no Estação NET Rio, e no dia 18, às 21h, no Estação Botafogo.