Por: Rafael Lima

Carnaval 2026 | Unidos do Viradouro: Ciça, o maestro que fez do couro uma sinfonia

Mestre Ciça se emociona em ensaio técnico da Viradouro: um enredo vivo e fundamental na história do carnaval carioca | Foto: Thomas Reis/Rio Carnaval


A Unidos do Viradouro chega ao Carnaval 2026 olhando para dentro de sua própria história para transformar em enredo a trajetória de um dos maiores mestres de bateria do samba: Mestre Ciça. A vermelho e branco lá do outro lado da Ponte Rio-Niterói leva para a Marquês de Sapucaí um desfile que celebra a vida, a resistência e a dedicação de um sambista que ajudou a moldar o som, a cadência e a identidade rítmica do Carnaval carioca ao longo de quase quatro décadas no Grupo Especial.

A escolha do enredo reafirma uma característica marcante da Viradouro nos últimos anos: contar histórias humanas, vivas e profundamente ligadas aos pilares do desfile. Em 2026, a escola transforma a trajetória de Mestre Ciça em narrativa cênica, musical e emocional, exaltando o papel da bateria como coração da escola e como elemento que conduz a energia da avenida do primeiro ao último setor.

Com 38 anos ininterruptos à frente de baterias do Grupo Especial, Mestre Ciça construiu uma carreira marcada por regularidade, excelência e respeito. Sua filosofia de trabalho, baseada no cuidado com o ritmista, na disciplina e na valorização humana, ajudou a formar gerações de sambistas e consolidou baterias reconhecidas pelo peso, pela cadência e pela precisão. Na Viradouro, essa relação se fortaleceu e se transformou em um dos alicerces do sucesso recente da agremiação.

A presença de Mestre Ciça no barracão, nos ensaios e no cotidiano da escola ganha novo significado em 2026. Cada etapa da preparação passa a carregar também o simbolismo da homenagem, fortalecendo o vínculo entre mestre, ritmistas e comunidade. O clima nos ensaios reflete essa conexão: emoção, responsabilidade e a consciência de que a bateria será não apenas um segmento técnico, mas um dos grandes protagonistas narrativos do desfile.

O enredo deste ano também dialoga com o momento atual da Viradouro, que se consolidou como uma das principais forças do Carnaval carioca na última década. Campeã em 1997, 2020 e 2024, a escola chega a 2026 com a confiança de quem sabe competir em alto nível e, ao mesmo tempo, emocionar ao contar histórias que nascem dentro da própria quadra e do próprio chão da escola.

A homenagem a Mestre Ciça não é apenas um reconhecimento individual, mas um tributo coletivo à bateria, ao ritmista e à cultura do samba como espaço de pertencimento, disciplina e emoção. Neste desfile, a Unidos do Viradouro promete transformar essa história em espetáculo, reafirmando sua força competitiva e, sobretudo, sua capacidade de emocionar ao contar histórias reais, vivas e profundamente ligadas à alma do carnaval.

 

Ficha Técnica

Unidos do Viradoruro | Foto: Divulgação

Fundação

24/06/1946

Cores

Vermelha e Branca

Presidente de Honra

José Carlos Monassa (in memoriam) e Marcelo Calil Petrus

Presidente

Hélio Nunes

Carnavalesco

Tarcísio Zanon

Diretores de Carnaval

Alex Fab

Intérprete

Wander Pires

Mestre de Bateria

Ciça

Rainha de Bateria

Juliana Paes

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Julinho e Rute

Comissão de Frente

Rodrigo Negri e Priscilla Mota

 

Sambra-Enredo: Pra Cima, Ciça


Autores: Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho E Thiago Meiners

Intérprete: Wander Pires

 

Eu vi… a vida pulsar como fosse canção

milhões de compassos pra eternizar

em cada batida do meu coração

o som que reflete o seu batucar

lá, onde o samba fez berço, do alto do morro

um menino orgulha Ismael, bicho novo

forjado nas garras do velho leão

contam no largo do Estácio

o destino em seu passo

que fez, pouco a pouco, uma chama acender

traz surdo, tarol e repique pro mestre reger


Quando o apito ressoa, parece magia

num trem caipira, no olhar da baiana

medalha de ouro, suingue perfeito

que marca no peito da escola de samba

Se a vida é um enredo, desfilou outros amores

maestro fez do couro sinfonia

na ousadia dos seus tambores

peça perfeita pra me completar

feiticeiro das evocações

atabaque mandou te chamar

pra macumba jogar poeira

no al to, vai resistir a caixa de Moacyr

legado do mestre caveira

sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você

Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender

e, hoje, aos teus pés

somos todos um nessa avenida

num furacão que nunca vai ter fim

nossa história não encontra despedida

Se eu for morrer de amor, que seja no samba

sou Viradouro, onde a arte o consagrou

não esperamos a saudade pra cantar

do mestre dos mestres, herdei o tambor