Por: Rafael Lima

Mestre Ciça, um enredo vivo e atuante na Sapucaí

Mestre Ciça é um dos maiores nomes da bateria do carnaval brasileiro | Foto: Renata Xavier

Unidos do Viradouro faz da trajetória de um dos maiores mestres de bateria do carnaval a história a ser contada na avenida

A Unidos do Viradouro escolheu olhar para dentro de sua própria essência para o Carnaval 2026. A vermelho e branco de Niterói levará para a avenida uma homenagem histórica a Mestre Ciça, um dos maiores nomes da bateria do carnaval brasileiro, transformando sua trajetória de vida, resistência e dedicação ao samba no enredo que promete emocionar público e jurados. Em um momento especial do carnaval, a escola celebra um sambista vivo, ativo e pulsante na construção do espetáculo que ajuda a erguer há décadas.

Com 38 anos ininterruptos à frente de baterias do Grupo Especial, Mestre Ciça construiu uma carreira marcada por regularidade, excelência e respeito. A Viradouro aposta na força simbólica dessa história para reafirmar sua identidade como uma escola que valoriza seus pilares humanos, artísticos e culturais.

Ao falar sobre a emoção de se tornar enredo, o mestre não esconde o impacto do reconhecimento. "Me sinto muito orgulhoso de estar sendo enredo do maior carnaval do mundo, na Unidos do Viradouro. Ver a minha história ser contada, um sambista vivo, isso me orgulha muito. Eu estou vivendo um momento único da minha vida e estou curtindo bastante esse momento, com responsabilidade. Emoção em cima de emoção, sempre", disse Ciça ao Correio da Manhã.

Macaque in the trees
Mestre Ciça acumula 30 anos ininterruptos comandando baterias de escolas do Grupo Especial | Foto: Renata Xavier/Divulgação

A presença de Mestre Ciça no barracão, nos ensaios e no dia a dia da escola ganha novo significado. "Cada dia é uma emoção. Eu vou no barracão é uma emoção. Nos ensaios, a emoção. Às vezes eu não encontro nem palavras, mas é de muita emoção", conta, traduzindo o sentimento que também ecoa entre os ritmistas e segmentos da agremiação.

Respeito ao ritmista

Ao longo de quase quatro décadas de liderança, Mestre Ciça construiu uma filosofia clara de trabalho, baseada no cuidado humano e no compromisso com quem faz o som da escola pulsar. "Primeiramente, o respeito. São 38 anos à frente de uma bateria, sempre no Grupo Especial, ininterruptos, isso mostra o quanto eu respeito a agremiação e o ritmista. O ritmista tem que ser bem cuidado. Eu sempre falo que ele não quer dinheiro, ele quer ser bem tratado na sua escola", defende.

Essa filosofia de trabalho ajudou a consolidar nas escolas que passou baterias consistentes, reconhecidas pela cadência, pelo peso e pela disciplina, características que se tornaram marca registrada de seus trabalhos. Na Viradouro, essa relação se fortaleceu e virou um dos alicerces do sucesso recente da escola, que se consolidou como uma potência do carnaval carioca na última década.

Confiante no projeto da escola, Mestre Ciça garante que o público pode esperar um desfile grandioso. "Espera um grande desfile da bateria, da própria Viradouro. A Viradouro fará um grande carnaval. Se tratando de Viradouro, sempre faz grandes carnavais. É um momento incrível e a escola sabe preparar um belo desfile", afirmou.

Ao longo de sua história, a Unidos do Viradouro já conquistou três títulos no Carnaval do Rio, sendo campeã em 1997, em 2020 e novamente em 2024 com o enredo "Arroboboi, Dangbé". Em 2025, encerrou a apuração na quarta colocação, mantendo sua presença consistente entre as principais agremiações da folia.

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A Viradouro será a terceira escola a desfilar na segunda de Carnaval | Foto: Marco Terranova | Riotur

A homenagem a Mestre Ciça não é apenas um reconhecimento individual, mas um tributo coletivo à bateria, ao ritmista e à cultura do samba como espaço de pertencimento, disciplina e emoção. Em 2026, a Viradouro promete transformar essa história em espetáculo, reafirmando sua força competitiva e, sobretudo, sua capacidade de emocionar ao contar histórias reais, vivas e profundamente ligadas à alma do carnaval.