Por: Affonso Nunes

Uma cidade em chamas de luz

A exposição reúne imagens produzidas pelo fotográfo Mario Aruna durante os festejos de fim de ano em sua cidade natal | Foto: Fotos/Mario Aruna

Fotógrafo italiano Mario Amura captura ritual pirotécnico de réveillon de Nápoles em exposição que dialoga com tradição carioca

Todo dia 31 de dezembro, quando a noite toma conta do golfo de Nápoles, o fotógrafo Mario Amura sobe o Monte Faito acompanhado de uma equipe de amigos. Lá do alto, observa um dos eventos mais impressionantes do Mediterrâneo: o momento em que o povo napolitano transforma o temor ancestral do vulcão Vesúvio em uma festa de luz feita de centenas de milhares de fogos de artifício. O resultado de 13 anos desse trabalho obsessivo está reunido na exposição "Napoli Explosion. Fogos, Cores, Luzes", em cartaz no Polo ItaliaNoRio, quer faz parte das celebrações dos 2.500 anos da cidade italiana.

A mostra apresenta 20 obras fotográficas de formato médio, além de um vídeo-documentário de 18 minutos. As imagens não se limitam a descrever o fenômeno pirotécnico: evocam nuvens, criaturas e constelações que emergem da escuridão. "Os napolitanos exorcizam o temor pela erupção do vulcão, fazendo explodir em luzes e cores todo o golfo de Nápoles", afirma Amura. "Lá do alto, a cidade se transforma em um horizonte invertido, em uma paisagem cósmica onde os fogos se tornam pinceladas de pura emoção", completa o fotógrafo.

O evento napolitano e sua grandeza nos fazem evocar o réveillon de Copacabana.

Nascido em Nápoles em 1973, Amura iniciou sua formação no Centro Sperimentale di Cinematografia. Entre 2000 e 2012, assinou a direção de fotografia de obras exibidas em festivais como Cannes, Berlim e Veneza. Em 2003, conquistou o David di Donatello pelo curta Racconto di Guerra. Desde 2005, dedica-se ao projeto StopEmotion, pesquisa fotográfica voltada para a fragmentação do tempo em picos emocionais.

Em "Napoli Explosion", Amura subverte o imaginário iconográfico do Vesúvio. Enquanto nas obras de Turner, Volaire e Warhol o vulcão aparece colorido pela lava, no trabalho do fotógrafo italiano ele surge como sombra silenciosa, submersa pela explosão dos fogos. "É uma exposição em que a fotografia, a pintura e a arte pirotécnica convergem em um único evento extraordinário", afirma Sylvain Bellenger, ex-diretor do Museu de Capodimonte.

"Durante a virada do ano, Nápoles vibra com milhares de pessoas que fazem explodir ou assistem à explosão desses fogos, sem saber que estão contribuindo para uma obra pictórica coletiva", observa Salvatore Settis, presidente do Comitê Científico do Louvre. Cada fotografia é uma estratificação de tempo e luz, pintura fotográfica que une a precisão do fotojornalismo à sensibilidade pictórica.

Serviço

NAPOLI EXPLOSION. FOGOS, CORES, LUZES

Polo ItaliaNoRio (Av. Presidente Antônio Carlos, 58, Centro)

Até 10/2, de segunda a sexta (10h às 18h)

Entrada franca