Exposição de Bob Wolfenson no Museu do Amanhã combina fotografia, aromas e sons da floresta em experiência multissensorial
Uma janela sensorial para a Amazônia. A exposição "Presenças na Amazônia: um diário visual de Bob Wolfenson", instalada no lounge do Museu do Amanhã, é um passeio imersivo pela maior floresta tropical do mundo através de fotografias, aromas de terra molhada, cantos de pássaros e sons da mata. A mostra marca os 55 anos de carreira do fotógrafo paulistano, um dos mais celebrados do país.
Wolfenson construiu ao longo de mais de cinco décadas uma trajetória singular na fotografia brasileira, vom trabalhos premiados em moda, publicidade e arte com uma assinatura visual inconfundível. Seus retratos e ensaios fotográficos estão publicados em livros e coleções de museus, consolidando-o como um dos principais nomes da fotografia autoral no Brasil. Agora, o profissional volta seu olhar para a Amazônia.
As fotografias reunidas na exposição nasceram durante as filmagens da websérie "Amazônia: Juntos Fazemos a Diferença", conduzida por Wolfenson e pela cantora Gaby Amarantos em 2024. A produção audiovisual, viabilizada com recursos da Vale, serviu de gatilho para o fotógrafo registrar a paisagem, pessoas e suas histórias entrelaçadas com a floresta. "Fotografar a Amazônia foi uma experiência profunda e transformadora. Estar diante de uma natureza tão poderosa e, ao mesmo tempo, encontrar pessoas que trabalham para que ela permaneça em pé trouxe um novo sentido ao meu olhar", comenta o fotógrafo.
Organizadas em três eixos - A Floresta, Presenças e Luz Mágica -, as imagens revelam a Amazônia por dentro, suas comunidades e suas histórias, numa narrativa em que floresta e gente se misturam e convivem em harmonia. A expografia aposta em materiais rústicos e naturais, com iluminação que muda ao longo do percurso para remeter ao ciclo do dia. A experiência ganha camadas sensoriais que transportam o visitante para dentro da floresta: um leve aroma de terra fresca depois da chuva e uma trilha sonora com registros originais da mata.
Esses sons são fruto de pesquisa do Instituto Tecnológico Vale, que reuniu mais de 16 mil minutos da vida na Floresta de Carajás, revelando curiosidades sobre a biodiversidade amazônica através das sonoridades que ela emite. Há ainda um espaço de pausa e contemplação com frases, trechos de falas e anotações de viagem do fotógrafo, formando uma instalação poética sobre seu processo criativo. A curadoria é de Cecilia Bedê.
A Vale está presente na Amazônia há quatro décadas, atuando em desenvolvimento sustentável, preservação e valorização da cultura amazônida, com iniciativas que fomentam a bioeconomia e protegem a floresta em pé. Fabio Scarano, curador do Museu do Amanhã, destaca a importância da mostra: "O Museu do Amanhã aposta na força da arte em comunicar o que a ciência hoje demonstra e, com isso, facilitar a reconexão do humano com o oceano".
A exposição conta com programação educativa gratuita que inclui caminhada fotográfica com Bob Wolfenson na Praça Mauá (conferir datas no site do museu), oficinas de carimbos, aula de carimbó, pintura de brinquedos de miriti (conhecida como a "árvore da vida", cuja fibra leve e flexível é usada para criar os famosos brinquedos artesanais) e experiências sensoriais como o tradicional banho de cheiro.
SERVIÇO
PRESENÇAS NA AMAZÔNIA: UM DIÁRIO VISUAL DE BOB WOLFENSON
Lounge do Museu do Amanhã (Praça Mauá, 1, Zona Portuária)
Até 10/2
Entrada franca