Exposição 'Microbiomas Poéticos' reúne sete obras que monitoram transformações orgânicas e digitais na Meta Gallery
Primeira galeria brasileira dedicada exclusivamente à arte tecnológica, a Meta Gallery encerra 2025 já projetando o ano seguinte com a exposição coletiva "Microbiomas Poéticos", resultado da parceria com o Núcleo de Artes e Novos Organismos da Escola de Belas Artes da UFRJ, o Nano-UFRJ, sua principal colaboração criativa desde a inauguração em julho de 2024.
A mostra reúne sete obras que exploram a intersecção entre matéria orgânica e tecnologias digitais. Os trabalhos apresentados utilizam esculturas cinéticas, membranas mecânicas, visualizações imersivas, dispositivos interativos e sistemas telemáticos que respondem ao ambiente e ao público por meio de resíduos, fibras, sensores, motores e sistemas computacionais.
O conceito unificador da exposição reside no monitoramento em tempo real de transformações sutis — químicas, biológicas, digitais ou estruturais — normalmente imperceptíveis à observação humana.
A proposta curatorial, assinada por Malu Fragoso e Guto Nóbrega, coordenadores do Nano-UFRJ, convida o visitante a refletir sobre como elementos naturais e artificiais constituem ecossistemas híbridos que permeiam o cotidiano. "'Microbiomas Poéticos' convida o visitante a observar transformações que normalmente passam despercebidas e a perceber como matéria, organismos e dispositivos digitais operam em conjunto no cotidiano", descreve Malu Fragoso que, além de curadora, apresenta "Compostagem #3", criada em parceria com Jonas Esteves.
Este objeto telemático de bioarte aplica eletrônica à matéria orgânica para monitorar um processo de decomposição cujos dados são enviados à nuvem. Esteves também traz o trabalho solo "Goro", híbrido de resíduos orgânicos, elementos eletrônicos e programação, e participa da estrutura computacional interativa "Nozfera", proposta pela artista Crisia, desenvolvendo o mecanismo de interatividade ao lado de Stella Feitosa, responsável pela impressão 3D, e João Vitor Coelho, autor do ecossistema imersivo.
Coelho comparece ainda com obra solo, "Madrugada 4.0", que capta e projeta em tela dados provenientes das demais obras, constituindo um hiperorganismo digital que responde à presença e ao gesto do público. Jackson Cardoso Leite apresenta a poesia digital "Tudo é possível de ser transfigurado pela imaginação", Javiera Muñoz traz "Exercício para imaginar os tecidos invisíveis", tecido equilibrado com pedras de quartzo, fibra de cânhamo e componentes eletrônicos, e Lena Becerra assina "Entramado cartilaginoso", objeto técnico em silicone que incorpora bomba peristáltica, motor e vidro.
SERVIÇO
MICROBIOMAS POÉTICOS
Meta Gallery (Rua da Assembleia, 40, Centro)
Até 13/3/2026, se segunda a sexta (10h às 18h)
Entrada franca