Rodrigo Fonseca
Especial para o Correio da Manhã
Amparado pelo carisma de Alexandra Richter e Nelson Freitas, "Os Emergentes", que estreia nesta quinta-feira (9), pode lotar as salas de projeção do Brasil, numa virada de semestre das mais promissoras para o cinema nacional, num ano de vacas magérrimas na venda de ingresso. Em meio à concorrência com fenômenos como "Super Mario Galaxy" e "Michael", o título de DNA brasileiro de maior público foi "Velhos Bandidos", com cerca de 417.247 pagantes. A presença do país na média total de tíquetes vendidos em circuito, até junho, não passou de 5%.
De julho para diante, contudo, reforços de peso estão a caminho, começando por agosto, com "O Shaolin do Sertão 2" (dia 20/8), no qual Edmilson Filho volta a sentar pontapés no Mal, e o novo exercício autoral de Jorge Furtado: "Muito Prazer", com Luisa Arraes e Daniel de Oliveira. Os ventos mais quentes, entretanto, ficaram para setembro com "Se Eu Fosse Você 3", que chega em 3/9, celebrando os 20 anos da franquia.
A Disney, sua distribuidora, foi malandra e colocou os dois primeiros, vistos respectivamente por 6,1 milhões de pessoas (o II de 2009) e por 3,6 milhões de espectadoras/es (o I, de 2006), em seu streaming. No catálogo do Disney encontram-se as peripécias de Helena (Glorias Pires) e Cláudio (Tony Ramos) ao trocarem de consciência, sob a direção fina de Daniel Filho. A parte III conta com as duas estrelas originais, mas escala Cleo Pires e Rafael Infante como suas personagens centrais.
Sob a direção de Anita Barbosa, a trama acompanha Bia, interpretada por Cleo, e Aquiles, papel de Infante. Duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio e Helena vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia, agora adulta e casada. Tudo parece em equilíbrio até que uma situação inesperada abala a dinâmica da família e coloca as relações à prova. Quando o raio parece cair mais uma vez no mesmo lugar, a família toda é levada a encarar um novo desafio: aprender a se colocar no lugar do outro… talvez de um jeito bem literal. O roteiro é de Leandro Soares e a produção é da Total International, com coprodução e distribuição da Buena Vista International, estúdio da The Walt Disney Company.
Até o momento, ficou para o mesmo dia o lançamento de "Minha Melhor Amiga", juntando as grifes de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. Essa sinergia pode ser um achado para nossas redes exibidoras. Rodado no Rio, Lisboa e Sevilha, o longa de Susana Garcia é inspirado nas experiências da dupla com as filhas adolescentes, Julia e Clara, que inclusive dão nome às protagonistas. Amigas de longa data, Ingrid e Mônica conquistaram a internet ao compartilhar situações hilárias e perrengues que passaram durante as férias com as garotas na Europa e a química foi tão boa que elas não pararam mais de viajar juntas.
No filme, as tais melhores amigas Julia (Mônica) e Clara (Ingrid) estão numa fase difícil, no auge dos 50 anos. Julia é uma jornalista divorciada que não acredita mais no amor e não se sente valorizada profissionalmente. Já Clara vive um casamento em crise e uma rotina frustrante em casa cuidando do marido, da sogra e do enteado. Pena ainda em seu trabalho como corretora imobiliária. Suas filhas, Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), de 16 anos, vão fazer um intercâmbio em Portugal e, pela primeira vez, morar longe das mães. Elas então decidem dar um basta na vida sem graça e embarcam juntas para Portugal. Em solo europeu, nem tudo sai como planejado... para o nosso bem, dando a chance ao público de sorrir com essas estrelas.
No dia 24 de setembro, tem o explosivo "Precisamos Falar", de Rebeca Diniz e Pedro Waddington. O roteiro de Sergio Goldenberg - baseado no romance "O Jantar", de Herman Koch, e supervisionado por George Moura - é uma aula de dramaturgia, apoiado numa direção nervosa que lembra muito o italiano Marco Bellocchio de "Bom Dia, Noite" (2003). É o melhor filme de Bellocchio que Bellocchio não fez. Na trama, adolescentes de classe média alta agridem uma mulher em situação de rua que dormia em um caixa eletrônico e ela acaba morrendo. As câmeras não permitem identificar os culpados, mas seus pais (dois irmãos e suas esposas) os reconhecem e precisam enfrentar o dilema de denunciá-los ou não à polícia. A magistral atuação de Alexandre Nero e a devastadora composição de Marjorie Estione no papel de uma Lady Macbeth de Zona Sul fazem desse ensaio sobre o maquiavelismo uma aula de sociologia - e de bom cinema.
Para outubro, o Midas do Brasil, Roberto Santucci (diretor de "Até Que A Sorte Nos Separe") lança "Picaretas Não Vão Pro Céu", com Maurício Manfrini (o Paulinho Gogó) e Tirullipa nas raias da malandragem, passando-se por religiosos. Com uma ajudinha do Altíssimo, quem sabe a receita de nossos filmes são se amplia.
Agora em agosto, no próximo dia 6, estima-se que as salas de projeção de cidades do interior (sobretudo do estado de São Paulo e das regiões Centro-Oeste e Sul) podem transformar "8 Segundos: O Desafio", de Márcio Trigo, numa mina de ouro. Seu roteiro retrata a jornada de João Donato (interpretado por Rafael Cardoso), um renomado campeão internacional de rodeios que, após um acidente grave que o afastou das arenas, retorna ao Brasil em busca de redenção. De volta às origens, entre duas imponentes fazendas que respiram cultura sertaneja, João luta para reencontrar seu lugar no mundo, enfrentando as pressões da família, antigas rivalidades e amores do passado.
Entre os filmes nacionais que já estavam em cartaz, um pequeno fenômeno de viés queer se desenha conforme "Quinze Dias" não desgarra dos multiplexes e do coração de seus fãs. A comédia romântica com jeitão de "Sessão da Tarde" de Daniel Lieff, baseado em best-seller de Vitor Martins, tem sido visto e revisto por um público fiel nas últimas duas semanas. Em seu enredo, Felipe (Miguel Lallo) é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries. Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio (Diego Lira) por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo o rapaz mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua.
A partir desta quinta, o carisma de Paolla Oliveira pode ser convertido em prol de nossas telas com a estreia de "Herança de Narcisa", de Clarissa Appelt e Daniel Dias. Ana, personagem de Paolla, retorna ao seu lar de infância, no Rio de Janeiro, após a morte de sua mãe, a ex-vedete Narcisa. Lá, ela encontra uma casa imersa em mistério, angústia familiar e segredos que se recusam a ficar enterrados. À medida que começa a revirar o imóvel junto com seu irmão Diego (Pedro Henrique Müller), Ana navega por um mar de antigos traumas, mistérios e medos. Para sobreviver, ela precisará confrontar as mágoas e as memórias de uma relação tóxica mal resolvida. Quem sabe não nasce um êxito de público daí?
Acerca de nossa produção documental, neste ano de Copa, "Zico - O Samurai de Quintino" fez cerca de 34 mil flamenguistas pagarem ingressos para conferir as glórias de um craque. Neste fim de semana, quem vem militar pela saúde financeira dos .docs é "Toquinho - Encontros e um Violão", de Erica Bernardini, sobre o músico e compositor Antonio Pecci. Na semana que vem chega "A Noite de Alaíde", da baiana radicada em Paris Lilliane Mutti. É um estudo sobre a voz e o vicejar canoro de Alaíde Costa.
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