Festival criado pelo ator Nando Cunha investe em diferentes artes para celebrar São Jorge
Força da natureza nas telas, celebrizado como o pai de Buchecha no sucesso "Nosso Sonho", de 2023, o ator Nando Cunha bate cabeça pro Santo Guerreiro faz tempo, realizando, há 19 anos, uma feijoada em homenagem a seu protetor. Este ano, regado pela fé desse operário da arte, o feijão rendeu mais do que se esperava e virou uma maratona cultural, que vai desta sexta (9) até o domingo. Batizado de Primeiro Festival de Jorge, o evento será realizado no Terraço da Vila, no Shopping Boulevard, em Vila Isabel. Tem música (pacas), cinema (do bom!), dança, contação de história, feira artesanal, comida gostosa.
"São Jorge é um santo popular, do povo. Ele é o cara que está sentado no trem com os trabalhadores que acordam cedo. Está nas cozinhas das empregadas. Ele está nos bares com boêmios", explica Nando. "Cultuado e celebrado no mundo inteiro, ele também está nas artes".
Terá samba pra valer no evento, com três dias de batuque. A força cinematográfica "baixa" por lá, no Shopping Boulevard, numa sessão do documentário "Jorge, O Padroeiro Guerreiro", com direção de Emílio Gallo. Produzido por Patrícia Chamon (que morreu no início do ano, deixando um legado de sucessos), o filme analisa o sincretismo em volta do culto ao único santo capaz de unir fiéis de todas as religiões. Gallo faz um estudo delicado sobre tolerância.
"O evento do Nando Cunha traz para esta cidade uma chance de celebração de um santo especialmente e tipicamente carioca, que une de forma respeitosa todas classes e as correntes religiosas do Rio, indo das igrejas aos bares, dos templos aos terreiros", diz o documentarista. "Para o cinema, acho que o filme representa um olhar sobre um caminho ainda muito pouco percorrido, mas rico em histórias cativantes de fé e devoção".
A feijoada servida a Jorge por Nando acontecerá no mesmo local, no dia 23 de abril, data em que se celebra o nobre cavaleiro. "Ogum vence demanda e com sua espada e sua capa encarnada ele ajuda a vencer os desafios de se viver de cultura num país racista e cheio de preconceitos", celebra Nando. "Sigo em frente na fé que ele vai me amparar sempre, mesmo quando a sociedade insiste em dizer não".