O Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro transformou suas férias de julho em uma imersão na cultura africana e afro-brasileira. A programação gratuita, desenvolvida pelo CCBB Educativo - Lugares de Culturas, gira em torno da exposição "Ancestral: Afro-Américas" e propõe um diálogo entre tradição e contemporaneidade através de atividades que celebram a herança cultural africana no Brasil.
O destaque da programação fica por conta do coletivo Costurando Histórias, que apresenta "Duas Histórias Africanas" neste sábado e domingo (12 e 13), às 14h. O grupo utiliza uma metodologia participativa onde as crianças colaboram na construção de tapetes-cenários enquanto acompanham a narração dos contos "Por que os mosquitos zunem nos ouvidos da gente" e "Por que os crocodilos não comem as galinhas". Essas fábulas tradicionais africanas, que atravessaram séculos e oceanos, mantêm viva a sabedoria ancestral sobre os conflitos e harmonias da vida nas savanas.
A dimensão memorial da cultura africana ganha espaço especial na atividade "Baobá", instalada no térreo do centro cultural. Inspirada na cosmologia africana que vê o baobá como árvore da vida, a proposta convida os participantes a registrarem em folhas simbólicas os sobrenomes e ensinamentos dos ancestrais que compõem suas identidades. A atividade funciona como um laboratório móvel de memórias familiares, estabelecendo conexões entre passado e presente através da valorização das raízes genealógicas.
A musicalidade africana encontra expressão contemporânea no projeto Sonori EcoParque, que chega ao CCBB no dia 26 de julho. Sob a direção de Kiko Menezes, o grupo apresenta um circuito de instrumentos ecológicos construídos com materiais alternativos e sucata. A proposta combina sustentabilidade ambiental com educação musical, oferecendo aos participantes a experiência de criar sons com mais de dez ritmos africanos e afro-brasileiros através de instalações plástico-sonoras interativas.
As brincadeiras tradicionais são ressignifiucadas na atividade "Teca Teca", uma versão moçambicana da amarelinha que integra palavras e instrumentos musicais de origem africana. Destinada a crianças de 3 a 7 anos, a proposta revela como os jogos infantis funcionaram historicamente como formas de resistência cultural e transmissão de saberes ancestrais. A atividade acontece aos sábados e feriados, às 13h, no Ateliê Aberto do primeiro andar.
A programação inclui ainda a "Máquina de Tempos", inspirada nos jogos eletrônicos dos anos 1980, onde os participantes exercitam a memória através de sequências sonoras e visuais em um painel interativo. A atividade, voltada para crianças a partir de 5 anos, funciona como ponte entre diferentes gerações e suas respectivas trilhas sonoras.
Para as famílias, o centro cultural oferece visitas mediadas especialmente desenvolvidas para aproximar o público infantil do conteúdo da exposição "Ancestral: Afro-Américas". Através de jogos e atividades lúdicas, educadores conduzem crianças e seus responsáveis em descobertas sobre a presença negra na história da arte brasileira, transformando a experiência museológica em momento de aprendizado compartilhado.
SERVIÇO
CCBB Educativo - Lugares de Culturas
Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro) | Até 31/7 com atividades gratuitas
E-mail: [email protected]