O candidato do PL a presidente da República, senador Flávio Bolsonaro já praticamente fechou o apoio dos partidos do centrão à sua campanha. A expectativa desses partidos (Federação União-PP, Republicanos, Podemos e Novo) é de integrar o eventual governo em caso de vitória do bolsonarismo.
A possível futura base governista teria 286 deputados – os 121 do PL mais 165 dos partidos que fecharam acordo com Flávio. A maioria na Câmara é obtida com 257 votos. Também seriam apenas 22 deputados a menos do que os 308 exigidos pela Constituição para aprovar Propostas de Emendas Constitucionais (PECs).
Será uma situação razoavelmente confortável para o eventual futuro governo, que praticamente engole o centrão, mas também dará a esses partidos um forte poder de pressão sobre Flávio Bolsonaro.
Além disso, deverá ganhar força um novo centro no espectro político do país: o grupo de partidos hoje chamado de “centro democrático”. Reúne PSD, MDB, Federação PSDB/Cidadania, Avante, bloco PRD/Solidariedade e Missão. São 103 deputados. Este grupo poderá fornecer ou negar – como faz atualmente o centrão – os deputados que faltariam a um governo Bolsonaro para aprovar suas PECs.
O filho do ex-presidente tem dito que quer fazer várias reformas constitucionais, caso seja eleito. Para isso, terá que aprovar emendas constitucionais.
Esse novo centro, com 103 deputados, também poderá ser chamado a integrar o eventual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A base parlamentar do eventual governo Lula passaria a ter 227 deputados, somando-se os 124 partidos de esquerda (88 da federação PT/PCdoB/PV, 15 do PSB,15 da federação Psol/Rede e 6 do PDT). É menos da metade (maioria) dos deputados da Câmara, mas dá margem de manobra ao governo para conquistar votos na oposição para projetos específicos.
Vale lembrar que, eleito em 2022, Lula também não teve maioria no Congresso, mas conseguiu aprovar emendas constitucionais, como o novo Arcabouço Fiscal, inclusive antes da posse, quando os analistas achavam muito difícil. Tudo no Congresso depende de negociação.
O problema será convencer o PT a realmente encampar um governo de coalizão. O convívio com os partidos de centro sempre foi. Difícil para os petistas. Mesmo no atual governo, é grande a insatisfação, por exemplo, dos integrantes da Rede Sustentabilidade e do PSB com a falta de poder de decisão no governo das ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento).
O presidente Lula, no entanto, tem dito que é hora de abrir mais espaço para os aliados, não só num eventual futuro governo, como também na própria campanha eleitoral. Caso contrário, a derrota será inevitável.
Se der Flávio, PL engole o centrão; se der Lula, uma maioria difícil
Base governsita de Flávio, com centrão, teria 286 deputados; já a base de Lula na Câmara teria 227 deputados, se juntar a esquerda ao chamado "centro democrático"
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