A avaliação na cúpula do PT é de que o partido tem que sair da bolha esquerdista no segundo turno das eleições, mas não pode de forma alguma arrefecer nos ataques ao bolsonarismo.
Pelo contrário, a ordem é bater duro para mostrar àqueles eleitores de centro-direita que optaram por Flávio Bolsonaro que eles não levaram em conta o que os petistas chamam de "o perigo da extrema-direita".
A ideia é aprofundar o discurso iniciado por Lula no primeiro turno, de que a eleição é uma disputa da civilização contra a barbárie bolsonarista.
Mas a diferença agora será deixar claro que o PT não é proprietário desse conceito de "civilização". Que Lula entende que "todas as correntes democráticas" são civilizatórias. Lembrar cenas dos debates e encontros em que, quando adversários no passado, Lula e Fernando Henrique Cardoso trocavam críticas, mas também se respeitavam.
Acentuar que concorrem neste segundo turno um candidato, segundo os petistas, com longo currículo, experiência administrativa e política, além de admiração internacional, contra outro candidato "sem méritos", que nunca ocupou um cargo executivo e cujo currículo se resume ao fato de ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PT pretende aumentar o tom nas críticas ao enriquecimento de Flávio Bolsonaro e de sua família, às suas ligações com Daniel Vorcaro e o Banco Master, assim com milicianos do Rio de Janeiro.
A reaproximação com o tucanato é uma estratégia pensada com efetividade entre setores do comando petista. O problema é saber da receptividade entre tucanos.
Foram anos a anos de polarização entre petistas e tucanos, especialmente no sul e no Sudeste do país, a alimentar o rancor de um lado e de outro, e o sentimento de antipetismo em uma parcela do tucanato.
Esse distanciamento se aprofundou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e deixou marcas no PT, especialmente em Minas Gerais, onde o PSDB é controlado por Aécio Neves, considerado um inimigo figadal do PT e da ex-presidente.
Aécio agora é o presidente nacional do PSDB e foi candidato ao Senado com um mau desempenho nas urnas. Curiosamente, o ex-presidente do PSDB no estado, Domingos Sávio, que se tornou um bolsonarista ferrenho filiado ao PL, foi o primeiro colocado na eleição para senador.
Ou seja, Minas Gerais é considerado pelo PT como uma das maiores dificuldades no segundo turno. Eleito no primeiro turno para governador, Cleitinho (Republicanos) até teve um posicionamento moderado em relação à disputa presidencial. Mas, se encampar a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno, poderá ser arrasador para Lula.
A ideia é tentar diminuir essas arestas. Se não for possível em relação a setores do tucanato, pelo menos trabalhar a parcela dos comandos partidários de centro-direita e do eleitorado que já esteve mais simpática a Lula nas eleições de 2022. Cleitinho e seu partido, o Republicanos, são considerados muito importantes. Assim como o PSD de Gilberto Kassab e de Ronaldo Caiado.
Mas agora que Flávio Bolsonaro se tornou uma expectativa real de poder, tudo será mais difícil.
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