Neste Segundo Turno das eleições não é mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o principal candidato desinteressado de debates eleitorais. É a equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL) que está reavaliando se ele deve ou não aceitar participar de debates. Lula, por sua vez, tem dito a assessores que está pronto para enfrentar Flávio “seja onde for”.
Marqueteiros de eleições lidam com subjetividades na preparação da imagem do pública do candidato e nas peças a serem apresentadas na campanha. De resto, costumam ser bem objetivos. Em se tratando de debates eleitorais os marqueteiros, se perguntam, antes de mais nada: “o que meu candidato ganha com isso? E o que ele perde?”
Enumeram os prós e contras e fazem um conta de soma e subtração. Se o resultado for positivo, vale a pena ir. Se for negativo, nem pensar.
No primeiro turno, as equipes de Lula e de Flávio fizeram as contas. O petista estava na frente nas pesquisas e seus assessores concluíram que ele, mesmo que se saísse bem, se submeteria a um risco desnecessário. Daria chances aos candidatos adversários de manipularem recortes do programa, contra ele, para expor nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro estava até mais disposto a um embate cara a cara com o primeiro colocado nas pesquisas. Mas, como Lula não se habilitou, ele também não quis participar de um programa contra os demais candidatos, mal colocados nas pesquisas, em que se tornaria o único alvo presente.
Foram ambos assim até o último debate programado, da TV Globo, previsto para a quinta-feira passada, dia 1º, quando Lula enfim bateu o martelo de que não participaria. Resolveu dar uma entrevista ao Flow Podcast. Aí o programa da Globo começou a “flopar”.
O Tribunal Superior Eleitoral vetou decisão da emissora de exibir o púlpito vazio, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o candidato Renan Santos (Missão), não convidado, tinha direito a participar e, por fim, Flávio Bolsonaro resolveu também não ir. Resultado: pela primeira vez em 20 anos, o primeiro turno terminou sem confronto dos líderes das pesquisas em debate.
Agora, com o avanço da disputa para o segundo turno, há uma expectativa maior de que os dois adversários se encontrem. Exceto se, de fato, a equipe de Flávio Bolsonaro realmente não aceitar.
As principais emissoras de TV já começaram a desenhar um novo calendário de debates presenciais entre eles, como os previstos pela TV Bandeirantes – em geral o primeiro encontro – e pela TV Globo, tradicionalmente o último embate.
Mas essa é uma eleição cheia de surpresas. Os institutos de pesquisa não conseguiram captar a virada de Flávio Bolsonaro. Nunca antes a Globo desmarcou de última hora o debate com tudo montado. Nunca antes os tribunais superiores intervieram tanto num debate. Não dá para garantir que os candidatos, enfim, se encontrarão.
Agora Flávio é que tem interesse menor no debate
No primeiro turno, Lula é que não estava interessado em debates; neste segundo turno, é a equipe de Flávio Bolsonaro que resolveu avaliar se vale a pena
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