Tales Faria

MDB e Planalto em jogada ensaiada pelo fim da 6x1

Em nota distribuída após a reunião do presidente do Congresso com Lula, o MDB dá a largada em um movimento pela votação do fim da 6x1 e por outras pautas do governo

MDB e Planalto em jogada ensaiada pelo fim da 6x1
Renan Calheiros, Davi Alcolumbre e Eduardo Braga Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

O MDB do Senado se aliou a Palácio do Planalto na pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar o fim da jornada semanal de seis dias de trabalho por um dia de folga.

O líder do partido no Senado, Eduardo Braga (AM), leu em plenário uma nota incitando Alcolumbre a colocar em pauta projetos que poucas horas antes o Palácio do Planalto havia divulgado terem sido elencados pelo governo, em reunião com o presidente do Senado, como prioritários para serem votados antes das eleições. A nota do MDB assinala:

"A bancada do MDB no Senado, por unanimidade, pede à Presidência desta Casa urgência para inclusão na Ordem do Dia da PEC 221/2019, que propõe reduzir a jornada de trabalho no Brasil e extinguir a escala 6x1, garantindo dois dias de repouso semanal remunerado sem redução salarial; da PEC 18/2025, que reorganiza o Sistema de Segurança Pública; e dos PL´s 2.780/2024 e 4.443/2025, que dispõem sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O Brasil não pode mais adiar a discussão dessas matérias."

Pouco antes, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), havia distribuído uma nota que assinou junto com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Referia-se à reunião que ambos tiveram pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Davi Alcolumbre para discutir pautas a serem votadas nos períodos de esforço concentrado do Congresso, ainda antes das eleições de outubro. O texto dizia:

"Foi reafirmada a importância do avanço das pautas prioritárias para o Governo, como a PEC do fim da escala 6x1, a MP que trata do fim da "taxa das blusinhas", a PEC da Segurança Pública e o PL de Minerais Críticos."

Ainda há outros itens que o governo considerou prioritários no encontro com Alcolumbre. Mas o MDB se concentrou no fim da 6x1, na PEC da Segurança e nos minerais críticos por crer que, neles, terá mais possibilidade de apoio da maioria dos partidos.

O senador Renan Calheiros disse à coluna que o partido já começou a conversar com o líder do PSD, Omar Aziz (AM) para tentar transformar a nota no início de um movimento no Congresso. "O Omar foi muito receptivo", argumentou Renan.

De fato, o líder do PSD também disse à coluna que apoia o movimento do MDB, mas que ainda não consultou a bancada: "Estou no Amazonas. Pessoalmente apoio a colocação em pauta desses três projetos, mas ainda tenho que consultar a bancada."

Davi Alcolumbre também ficou de consultar as lideranças partidárias para decidir se os itens elencados pelo governo entrarão em pauta antes das eleições. Serão duas semanas: entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro.

Alcolumbre disse à coluna que o caminho com o governo está desobstruído: "Foi muito importante para a democracia, porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil e esse diálogo está restabelecido. Tanto que já tivemos duas reuniões muito boas e produtivas pensando no Brasil. Esse é o meu papel e eu creio que é o do presidente Lula também."