Correio da Manhã
Tales Faria

Moraes não deverá ser desautorizado pelo Supremo

Ministros do STF não concordam integralmente com decisão do colega de suspender visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, mas consideram que não seria correto desautorizá-lo

Moraes não deverá ser desautorizado pelo Supremo
Alexandre de Moraes proibiu visitas de Flávio a Jair Bolsonaro por 90 dias Crédito: Luiz Silveira/STF

Em nota divulgada na segunda-feira, 3, a defesa do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), afirma que, ao proibi-lo de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, a decisão do Alexandre de Moraes desrespeita "não só a Lei de Execução Penal e o Estatuto da Advocacia, mas também a Constituição".

O advogado Tracy Reinaldet, da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, antecipa na nota que "medidas judiciais serão tomadas para reverter essa situação ilegal e inconstitucional", segundo ele criada por Alexandre de Moraes. Até o início da noite deste domingo, 19, as tais medidas não haviam sido tomadas.

A nota trata de uma decisão do ministro, nesta sexta-feira, 17, em que Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro pai está em prisão domiciliar humanitária desde março. Em julho, a defesa recorreu contra a prisão e o ministro manteve as restrições, entre elas a proibição de acesso a redes sociais. Agora ele determinou a suspensão das visitas do filho.

A decisão foi tomada após Flávio ler, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. O ministro também determinou que a defesa de Bolsonaro esclareça se ele sabia que o documento seria divulgado nas redes sociais.

A defesa de Jair Bolsonaro respondeu que ele "não sabia". O caso foi encaminhado ao procurador-geral Eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.

Mas, no Supremo Tribunal Federal, se as tais medidas judiciais anunciadas pela defesa para reverter "essa situação ilegal e inconstitucional" forem de fato tomadas é provável que não alcancem seu objetivo. A coluna ouviu de ministros que, embora a decisão de Moraes seja polêmica, ele contará com o apoio dos colegas. Embora um apoio crítico.

É verdade que o embate jurídico ganhou um novo capítulo e ampliou a discussão sobre os limites das medidas cautelares, a aplicação da Lei de Execução Penal. Mas os colegas de Moraes não veem aí motivo suficiente para desautorizar um ministro da Corte.

Para recorrer de uma suspensão de visitas, a defesa deverá protocolar uma petição  demonstrando que não há motivo para a punição. Moraes tem rejeitado esse argumento afirmando que a carta foi escrita por Bolsonaro exatamente para divulgar conteúdo nas redes sociais. O que, na avaliação do ministro, violou as condições impostas pela prisão domiciliar.

Trata-se do julgamento envolvendo o crime de golpe de estado, em que a comunicação é questão central. Não apenas de liberdade de opinião, mas de como lidar com um preso que ínsiste em incitar, de dentro da cadeia, seus aliados de fora a enfrentarem a ordem constitucional.

Trata-se também de saber em que medida é legal um advogado divulgar nas redes sociais um manifesto desse preso em favor do desrespeito à ordem constitucional. Não é simples.