A reportagem da revista Veja segundo a qual, em nova proposta de delação premiada, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro cita pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e negócios com o PT da Bahia está promovendo a reaproximação entre Alcolumbre e o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA).
Os dois estavam praticamente rompidos desde que o Senado derrubou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mas velhas feridas ainda não cicatrizaram totalmente. Alcolumbre permanece culpando Wagner por ter trabalhado contra a indicação de seu candidato ao STF, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Já o líder do governo continua achando que foi usado como desculpa pelo presidente do Senado para abrir guerra contra o Palácio do Planalto em busca de atendimento a seus pleitos pessoais pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De qualquer maneira, os ressentimentos mútuos tiveram uma breve pausa nesta terça-feira, 16. Alcolumbre fez um pronunciamento "indignado" no plenário contra a reportagem, e Wagner subiu à tribuna não só para se defender, mas também para manifestar solidariedade ao presidente da Casa.
Alcolumbre, afirmou:
"Eu repudio, com toda a firmeza e com toda a indignação, o conteúdo dessa matéria. Jamais recebi aqueles valores, ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas, com a única e aparente intenção de arrastar para a lama o meu nome, a minha honra, a minha reputação. Vou repetir a Vossas Excelências: jamais recebi quaisquer valores em contas no Brasil ou no exterior. Isso, absolutamente, nunca aconteceu. Faço questão de afirmar isso para tranquilizar esta Casa, os senadores e as senadoras da República e a sociedade brasileira."
A destacar que "o mal já está feito", o presidente do Senado ameaçou:
"Aqueles que promoveram essas calúnias serão responsabilizados e serão punidos. O Brasil conhecerá o nome de quem tentou me envolver em um crime do qual sou absolutamente, repito, absolutamente inocente."
Da tribuna, Wagner apontou para Alcolumbre e disse que estava ali "para se solidarizar". "Esse 'instituto da leviandade' precisa ter um ponto final. A capa da Veja fala de uma delação inexistente, porque foi negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República", afirmou.
Também se mostrou irritado com as acusações sobre supostos negócios do PT da Bahia. "Já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação que encontrou algo sobre o meu comportamento ou do ex-governador Rui Costa", [que até recentemente atuava como ministro-chefe da Casa Civil].
Wagner fez uma autocrítica sobre a legislação aprovada pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT): a Lei das Organizações Criminosas. Avaliou que o Congresso cometeu um erro ao admitir a delação para pessoas presas, o que, segundo ele, abre margem para coações psicológicas.
Ao final, Alcolumbre acenou com a cabeça em agradecimento. E o gesto foi retribuído pelo líder.
Menu