O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi ao encontro da cúpula dos sete países capitalistas mais fortes do mundo, o G7, para fazer a sua campanha à reeleição no Brasil. De lá, mandou um recado aos eleitores independentes e aos que estão indecisos entre ele e os candidatos de direita para o Palácio do Planalto: "Eu nunca fui esquerdista."
Este foi o momento planejado por Lula para ser, de fato, o mais importante de sua viagem: ser bem recebido num encontro com a cúpula dos dirigentes capitalistas do mundo e mostrar aos eleitores brasileiros de que ele é apenas um político experiente na arte da negociação. Que sabe falar duro quando é necessário, mas também sabe dialogar com o adverso.
Ele deu o recado ao Brasil em uma conversa descontraída com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
Ao falar da participação de nomes de direita e esquerda em países como Estados Unidos, Reino Unido e França, o brasileiro sublinhou que a esquerda ficou menos tempo no poder nestes países do que a direita, o que, segundo ele, provaria que o mundo não é de esquerda: "O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade."
Georgieva comentou que, no seu primeiro mandato, todos esperavam que Lula fosse um esquerdista, mas ele não agiu como um socialista. O presidente brasileiro respondeu: "Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação com o sindicalismo italiano, com a UGT espanhola."
Há diferenças entre sindicalismo e esquerdismo. O sindicalismo surgiu para minimizar condições precárias enfrentadas pelos trabalhadores. Organiza-os em sindicatos para defender objetivamente seus direitos e negociar melhores condições de trabalho. Os esquerdistas são aqueles que abraçam o socialismo, uma ideologia política e econômica que busca a sociedade onde todos tenham acesso igualitário às oportunidades.
Adversário de Lula pelo PSDB nas eleições presidenciais de 2002 e 2010, o ex-ministro da Saúde e do Planejamento José Serra costumava dizer: "Eu sou mais socialista do que o Lula." Nem o PT gostava de ouvir isso. Mas agora, nas disputadas eleições deste ano, em que uma parcela da direita pode apoiar o bolsonarismo, vale para Lula lembrar que ele nunca foi socialista.
Enganou-se também quem pensava que o presidente foi ao G7 apenas para tentar a conversa com aquele que traz mais problemas para o Brasil no momento, o presidente dos EUA, Donald Trump. E que este o esnobaria. Trump e Lula se encontram e, segundo o presidente dos EUA, foi longamente. Não se sabe ainda detalhes. Mas não parece ter sido decisiva, nem boa o suficiente para qualquer dos lados. Foi um início de conversa, como Lula, antes da viagem, havia dito que queria que fosse.
Publicamente, os dois tiveram um encontro rápido. Cruzaram-se num corredor, quando Trump deu um tapinha no ombro do brasileiro e disse: "Good job" (bom trabalho em inglês). Um gesto de simpatia, apesar das trocas de farpas, como quando Trump disse que o Brasil "é perigoso".
Lula volta do G7 com o que queria: material para a sua campanha.
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