Correio da Manhã
CPI do Master

A CPI do Master neste momento não interessa aos políticos

Apesar da suposta delação de Daniel Vorcaro contra Davi Alcolumbre e o PT da Bahia, governo e oposição acham que a CPI do banco Master não deve ocorrer

A CPI do Master neste momento não interessa aos políticos

A revista Veja deste final de semana noticiou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é citado em delação do dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro teria contado à Polícia Federal que fez um pagamento a Alcolumbre de US$ 30 milhões, equivalentes a R$ 155 milhões. Vorcaro, segundo a revista, teria falado também do PT da Bahia, especialmente do ex-governador Rui Costa, que até recentemente era o poderoso chefe da Casa Civil.

Noutros tempos, uma fala dessas seria motivo de sobra para a instauração imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Daquelas bem ruidosas. Mas agora não é bem assim. Estamos às vésperas de eleições gerais, com quase todos os partidos envolvidos com Daniel Vorcaro. Uns mais, outros menos, mas quase todos, envolvidos.

Além disso, na Câmara, já foi protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), no dia 2 de fevereiro, um pedido de CPI sobre o assunto com as assinaturas suficientes para a sua instalação. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avisou que seguirá estritamente o Regimento.

Seguindo o Regimento da Câmara, teriam, antes, que ser instaladas as 15 CPIs sobre outros temas cujos pedidos já foram protocolados. Só uma canetada do presidente da Casa furaria a fila. E Motta deixou claro que não está disposto a isso.

No Senado, bem, no Senado a instauração da CPI depende do despacho de Davi Alcolumbre. Exato: daquele que supostamente está sendo delatado por Vorcaro e, portanto, não teria o mínimo interesse.

A maior parte dos parlamentares procurados pela coluna ou preferiram não se pronunciar, ou falaram em caráter reservado. Mas o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), falou. Assim como o ex-líder do PT, senador Humberto Costa (PE).

Deu para notar que a não instalação da CPI é um dos poucos assuntos em que governo e oposição concordaram nesta legislatura. A coluna perguntou se desta vez a CPI sai, diante da delação noticiada pela Veja.

Carlos Portinho disse: "Não acredito e não teria quórum nesse momento eleitoral. Se festas juninas esvaziarão o congresso na próxima semana, imagina as eleições e o recesso [parlamentar de meio de ano]. Isso é uma constatação natural de quem vive no Congresso há anos e sabe como é a rotina. Até porque a investigação com André Mendonca [ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)] e a PF avança."

Humberto Costa argumentou: "Acho difícil que ocorra por conta desse negócio da Veja, apesar de ser muito grave. Porque envolve Supremo, envolve um bocado de gente, muitos parlamentares. Então não sei se acontece essa CPI. Além do mais, ainda estamos muito em cima da eleição. Fazer uma CPI no período da eleição é uma coisa meio difícil. Eu acho difícil."

Vale lembrar o que disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, quando o Intercept Brasil revelou que pediu dinheiro a Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre seu pai. Ele subiu à tribuna do Congresso acompanhado de um punhado de deputados e afirmou: "Mais que nunca é necessária a instalação da CPI do Master."

Pois é. Vai ficar por isso mesmo.