Num primeiro momento, surpreendido pelo novo tarifaço contra os produtos brasileiros que foi anunciado pelo Escritório de Comercio dos Estados Unidos, o Palácio do Planalto realmente chegou a superestimar as possíveis consequências da medida. Mas, passado o susto, a avaliação do governo é de que há agora um espaço maior para negociação com o governo norte-americano do que quando ocorreu o primeiro tarifaço lançado, em abril de 2025, pelo presidente Donald Trump.
A meta é, no mínimo, voltar à situação que se chegou em novembro, quando aquele tarifaço já tinha perdido boa parte do seu peso.
Vale lembrar como foi aquele processo. Ao anunciar o tarifaço geral contra vários países naquele abril e 2025, Trump, num primeiro momento, só aplicou uma taxa de linear 10% de acréscimo sobre as importações do Brasil. Depois, em junho, elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%.
Foi em julho que o primeiro tarifaço atingiu o pico, quando incluíram-se vários outros produtos causando tremores no mercado. Mas foi divulgada uma lista de exceções de 700 produtos. Em novembro, após negociações com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Trump retirou o acréscimo de 40% sobre outros itens muito importantes, como café, carnes e frutas.
O vice-presidente e ex-ministro da Indústria e Comércio Geraldo Alckmin (PSB) foi considerado como o grande responsável pelo sucesso das negociações.
Mas a decisão da Suprema Corte dos EUA, que considerou o aquele tarifaço de Trump ilegal, passou uma borracha na história. Só que o presidente norte-americano encontrou uma forma, desta vez em acordo com as leis do país, para retomar as tarifações. E chegamos agora a essa nova versão do tarifaço.
Nesse meio tempo, no entanto, há um fato novo: os presidentes Lula e Trump já se encontraram pessoalmente, trocaram elogios mútuos e chegaram a dizer que "pintou um clima" entre os dois. Por isso o governo brasileiro aposta que há mais canais de negociação, diretos e desobstruídos. No entanto o entendimento é de que Trump, num primeiro momento, como sempre faz, irá endurecer as negociações, para ceder somente depois.
Geraldo Alckmin deverá participar ativamente desse novo processo de negociações. Mas há dúvidas se ele poderá comandar por muito tempo, como no primeiro tarifaço. É que, desta vez, há uma campanha à reeleição pela frente em que Alckmin é candidato, e terá que estar ao lado do presidente Lula nas viagens.
Além da meta de se chegar aos mesmo níveis de impostos de importação que já se tinha estabelecido em novembro, desta vez foi colocada uma questão da qual o Brasil não abre mão: o Pix.
Para o governo brasileiro, o Escritório de Comércio dos EUA está mal mal informado sobre o Pix. Trata-se de um sistema de pagamentos que não se choca tanto com as empresas de cartões de crédito norte-americanas quanto o imaginado.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Pix produz um ganho adicional ao sistema financeiro: ele atrai um número enorme de clientes que estavam fora dos bancos, a chamada bancarização. Será prioridade da equipe econômica convencer o governo dos EUA de que o Pix ajuda, não atrapalha os bancos.
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