Por: Tales Faria

O Plano B de Alcolumbre é fazer as próximas indicações para o STF

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), procurou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AM), antes de bater o martelo sobre sua posição em relação à indicação apresentada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal. Braga conta que perguntou a Alcolumbre:

"Você tem plano B para a derrubada do Messias?"

O presidente do Senado respondeu: "Não, não tenho."

O líder teria arrematado: "Então, sem plano B, não vejo motivo para votar contra a indicação do presidente."

Ao levar a pergunta para o presidente da Casa, Eduardo Braga expressou uma dúvida que corria solta pelos bastidores do Senado, não só no MDB: qual seria o plano de Alcolumbre para após a indicação ser recusada pelo Senado?

A aprovação de Messias na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça se deu por uma margem pequena, a menor história: 16 a 11, apenas dois votos a mais do que os 14 necessários. Até então o pior resultado na CCJ foi obtido por Flávio Dino, 17 a 10.

No plenário, Messias obteve um resultado ainda pior: 42 votos contra sua nomeação e apenas 34 a favor. Na avaliação dos líderes governistas, ficou evidente que houve traições na base de apoio ao Palácio do Planalto no Senado. E que Alcolumbre foi o grande artífice da derrota do presidente Lula.

O presidente do Senado não revelou a Eduardo Braga seus planos porque sabia que o líder estava engajado na aprovação de Messias. Ele, no entanto, contou o que pretendia aos senadores que convenceu a votar contra:

"Nada tenho contra o Messias. Mas, se ele for derrotado, daqui para a frente todos os governos terão que negociar com o Senado as indicações para o STF", disse

Alcolumbre já tem até um nome na ponta da língua para selar a derrota definitiva do governo: o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que ele havia indicado antes e Lula recusou para fazer dele candidato a governador de Minas Gerais.

O principal problema será convencer Lula a aceitar a derrota completa. No Palácio do Planalto o que se dizia antes da votação é que, se o governo fosse derrotado, o presidente jogaria pesado contra Alcolumbre, inclusive retirando o apoio a seu candidato ao governo do Amapá.

É verdade que o senador Rodrigo Pacheco sempre quis uma vaga no Supremo e até poderia desistir da candidatura a governador. Ele não se saiu bem na pesquisa de inteção de votos da Quaest para governador, divulgada nesta quarta-feira 28. Marcou apenas 8% da preferência do eleitorado.

Mas Pacheco já está filiado ao governista PSB. Teria que deixar o partido, no qual chegou apadrinhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Não ficaria nada bem para sua imagem entrar forçando assim a porta do STF.