O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) começou sua pré-campanha eleitoral para presidente da República absolutamente desacreditado. As primeiras pesquisas de opinião o colocavam disputando espaço longe do primeiro pelotão.
O máximo que conseguia era um honroso quarto lugar, atrás do candidato do PSD, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.
Zema não era levado a sério nem como opção de candidato a vice, apesar de Minas Gerais ter sido um estado decisivo em todas as eleições presidenciais.
O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que desde o início disputou o primeiro lugar nas pesquisas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a fazer graça com os acenos do mineiro para integrar sua chapa. Gravou um vídeo com Zema em que falavam da hipótese ao contrário: Flávio como vice do ex-governador. "Será?", perguntou rindo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas eis que, no meio do caminho, Zema encontrou como discurso o combate radical ao Supremo Tribunal Federal (STF). E achou sentado à beira do caminho aquele para personificar os males da Corte: o ministro Gilmar Mendes.
Gilmar nem percebeu que estava sendo enredado na trama do ex-governador, que sempre soube, como ninguém, usar o gestual de mineirinho bobo para derrotar seus adversários.
O ministro letrado, com formação nos melhores livros do direito alemão, achou que daria um show. Apontou a forma de falar simplória do adversário e escorregou numa citação sobre homossexualidade mal interpretada que arrematou o desastre.
Romeu Zema aproveitou a vitrine em que foi colocado pelo supremo ministro. De praticamente desconhecido do eleitorado, ele agora aposta na divulgação de novas pesquisas apontando um crescimento na preferência dos eleitores que o credencie, pelo menos, a de fato figurar como vice de Flávio Bolsonaro.
O que era motivo de chacota do clã do ex-presidente, passou a ser levado a sério por Flávio, convencido de que Minas Gerais é fundamental para sua campanha. E o estado produziu uma estrela do bolsonarismo, o deputado Nikolas Ferreira (PL).
Com apenas 29 anos de idade, Nikolas não pode ser candidato a vice. Mas ele escreveu que a chapa "Bolsozema daria muito certo", em alusão à união formal entre Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. O deputado compartilhava uma publicação sobre o perfil que deseja para vice do senador.
Tudo vai depender de dois fatores. O primeiro é o resultado das pesquisas eleitorais que vêm pela frente: saber se confirmam que, realmente, Gilmar Mendes colocou Zema em evidência na campanha.
O outro fator são os irmãos e o pai de Flávio, ou seja, o clã brigão.
Em post nas redes sociais, onde reproduziu notícia com Zema se dizendo favorável à reforma tributária, Carlos assumiu brigas anteriores de Eduardo Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro contra os mineiros e também deu seu recado sobre pedidos de apaziguamento de Flávio: "Meu irmão, [...] é preciso ponderar. Você está mordendo a isca com mais facilidade do que lambari em anzol de mosquito e o peixe vai só engordando malandramente."