Por: Tales Faria

Sidônio é pressionado a ir para a campanha com PT de olho na Secom

Sidônio Palmeira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, está sendo pressionado pelo PT a deixar o governo e entrar de cabeça na pré-campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação no PT é de que Sidônio está sobrecarregado ao trabalhar com dois chapéus: de ministro e de marqueteiro.

Ele não gosta de ser chamado de marqueteiro, prefere "publicitário", e avalia que dá conta, sim, do trabalho nas duas funções. Está nos seus planos ficar no governo, mas tirar férias de 15 dias em junho para estruturar o marketing da campanha.

Em fins de setembro, aí sim, Sidônio pretende entrar de licença para atuar no final do primeiro turno e durante o segundo turno da campanha eleitoral.

Ele já até trouxe para Brasília o publicitário Raul Rabelo, seu sócio na agência Leiaute. Pretende que Rabelo cuide da campanha durante todo o período pré-eleitoral e até que ele próprio assuma.

O problema é que os petistas estão preocupados com o crescimento nas pesquisas do principal adversário de Lula na campanha presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Estão mais preocupados ainda com o fato de os pontos positivos da gestão Lula à frente do Palácio do Planalto não estarem influenciando na avaliação do governo.

Outro ponto considerado falho é a comunicação em torno do escândalo do banco Master. Embora até agora as investigações tenham apontado maior envolvimento de bolsonaristas, o caso está repercutindo negativamente sobre a imagem do governo.

A ideia no Palácio do Planalto é que isto ocorre não por incompetência de Sidônio, mas porque ele está sobrecarregado.

O ministro-chefe da Casa Civl, Rui Costa, Chegou a cobrar de Sidônio, na reunião ministerial do último dia 31, uma comparação mais forte com o mau desempenho da administração Bolsonaro e se o povo sabe das entregas do governo.

"Minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Temos de colocar como foco comparar", disse Rui Costa.

Nos bastidores, petistas cobram não só a substituição, mas querem "alguém de peso" para o lugar de Sidônio. Ou seja, um político do PT.

Foi o caso do antecessor de Sidônio no cargo, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que agora atua como líder do governo na Câmara e está cotado como candidato ao Senado.

Lula precisa de nomes fortes concorrendo ao Senado e não deve mexer em Pimenta. Além disso, o presidente tem preferido, nas substituições dos ministros, colocar nomes que já fazem parte da estrutura de cada pasta.

Nesse caso, os substitutos naturais de Sidônio Palmeira seriam Laércio Portela, secretário de Comunicação Social designado por Lula, e Tiago Cesar dos Santos, secretário-executivo escolhido por Sidônio.

Seja lá qual for o nome, os petistas defendem um enfrentamento maior e mais imediato contra os bolsonaristas. Na estratégia original, isso começaria no segundo semestre, mas o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas está levando o PT a defender uma campanha mais dura agora.