O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu uma demonstração pública de fidelidade ao governo e ao PT nesta terça-feira, 14, durante a campanha para eleição direta do representante da Casa no Tribunal de Contas da União (TCU).
Ele pagou a promessa de apoio a um candidato do partido governista para o cargo em troca do apoio do Palácio do Planalto à sua eleição para o comando da Casa, em fevereiro do ano passado. O nome escolhido pelos petistas foi o do ex-líder da bancada Odair Cunha (MG).
A estratégia adotada por Hugo Motta foi a de incentivar o lançamento do máximo de candidatos para evitar uma polarização que poderia beneficiar a oposição.
Para isso, ele primeiramente convenceu os líderes que o apoiam a apresentar nomes de seus partidos. Como a eleição é em apenas um turno, a tendência, com vários candidatos, seria a vitória de que teria o seu apoio e do governo.
Um dos candidatos, Gilson Daniel (Podemos-ES), denunciou da tribuna. "Eu sei que cada deputado aqui foi chamado a votar de acordo com o que foi acertado entre líderes; sei que todos nós sabemos o que houve aqui", denunciou, se dizendo candidato independente.
O acordo era de conhecimento de todos os parlamentares na Casa. Motta chegou a insistir com alguns candidatos, pessoalmente, que participassem do combinado. Nem sempre conseguiu convencer, mas, em alguns casos ficou seguro - e satisfeito - ao saber que não haveria desistência.
Um dos candidatos, a quem ele visitou em casa na segunda-feira à noite foi Danilo Forte. Mas ele respondeu que sua candidatua era "para valer" e que faria campanha para derrotar o nome do PT. "Vou até o final, pode escrever" disse Fortes à coluna antes da votação. E cumpriu.
A oposição, liderada pelo PL, entendeu a estratégia de Hugo Motta. O próprio candidato do partido a presidente da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), entrou na campanha. Para tentar diminuir o número de candidatos. Ele procurou seu amigo de longa data e presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. Propôs fecharem acordo de desistência da candidatura de Elmar ou de Soraya para unificar a oposição.
Flávio já tinha conseguido, pouco antes, a desistência da candidata do partido Novo Adriana Ventura (SP). Estavam inscritos como candidatos até o início da sessão de votação seis nomes:
Danilo Forte (PP-CE), Hugo Leal (PSD-RJ), Elmar Nascimento (União-BA), Gilson Daniel (Podemos-ES), Odair Cunha (PT-MG) e Soraya Santos (PL-RJ).
Mas Elmar anunciou logo no início que Soraya anunciaria o acordo entre o PL e o União Brasil. Ou seja, que um deles desistiria, conforme Flávio e Rueda acertaram. Foi o que a deputada fez, argumentando que os dois chefes partidários acertaram que indicarão uma mulher para a "próxima vaga do TCU e do STJ" (Superior Tribunal de Justiça).