Por: Tales Faria

Alcolumbre já aceita Messias

Alcolumbre já aceita Messias | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

No último dia 1º, o presidente Lula enviou ao Senado a mensagem presidencial de indicação do seu chefe da Advocacia-Geral da União para ministro do Supremo Tribunal Federal. Esta coluna veio, então, intitulada "Lula já vê Messias com votos para o STF e encara Alcolumbre". Trouxe a seguinte informação:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à conclusão de que o advogado-geral da União, Jorge Messias, já tem votos suficientes para sua indicação como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ser aprovada pelo Senado."

Afinal, Lula concluiu que chegou a hora de colocar um ponto final na queda de braço com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em torno da vaga aberta com o pedido de aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado.

Não havia mais motivos para a insatisfação que levou Alcolumbre a trabalhar contra Messias. O presidente do Senado queria seu colega Rodrigo Pacheco (então no PSD de Minas Gerais) no STF. Achou que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), trabalhara contra Pacheco para fazer com que Messias, seu antigo assessor, fosse o ministro.

Mas não era bem assim. Lula queria Pacheco como candidato a governador de Minas Gerais. É fundamental para a campanha à reeleição do presidente um palanque forte no estado que elegeu todos os presidentes desde a redemocratização do país.

Para isso Lula, precisava, antes, convencer Rodrigo Pacheco. Mas isto só ocorreu agora, quando o senador aceitou trocar o PSD pelo PSB, já que seu partido adotou Mateus Simões como candidato da sigla ao Palácio da Liberdade. Pacheco preferia uma vaga certa no STF em vez de concorrer a uma vaga ainda incerta de governador. Mas Lula insistiu. Só não podia dizer publicamente que deixava de indicar o preferido de Alcolumbre para o STF porque o queria como candidato. Provocaria a recusa pública do senador.

Agora que o problema com Pacheco está resolvido e Alcolumbre não tem mais motivo para reclamar, as portas se abrem para a aprovação de Jorge Messias ao STF. Com uma vantagem: os quatro meses com que Alcolumbre protelou a sabatina serviram de tempo para Messias cabalar votos dos senadores. Ele já falou com praticamente todos. Só não revela o nome daqueles (poucos) que resistem.

Messias fez nesse tempo, com o presidente da República e os líderes governistas, um levantamento caso a caso dos votos que detém. Já contaram mais de 50 entre os 81 senadores. Bastam 41 para ter seu nome aprovado. Avaliam que podem chegar a 60.

Até o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, teve que ser chamado a atenção por senadores de seu partido ao revelar que dá como favas contadas a aprovação de Messias. Em entrevista ao portal Metrópoles, no último dia 1º, ele afirmou:

"Não dou nem palpite no Senado. Nosso pessoal é contra. Mas não adianta ser contra porque eles têm maioria. Eles têm maioria no Senado. Têm maioria. Aprova. Pode escrever. Aprova."

Nesta quinta-feira, 9, Alcolumbre enviou, enfim a indicação de Messias para a Comissão de Constituição e Justiça. O presidente do Senado marcou no mesmo dia entrevista coletiva de imprensa de Weverton Rocha (PDT-MA), indicado por ele como relator do processo de aprovação de Messias, que anunciou o dia 29 como data da sabatina. O relator já avisou que seu parecer será favorável.