Por: Tales Faria

Ronaldo Caiado está candidato a Cristiano Machado

Cristiano Machado e Ronaldo Caiado | Foto: agencia brasil

Mineiro de Sabará, Cristiano Monteiro Machado foi prefeito de Belo Horizonte entre 1926 e 1929. Concorreu à Presidência da República em 1950 em uma disputa já então polarizada entre o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) e o ex-presidente Getúlio Vargas (PTB).

Cristiano Machado entrou para a história como aquele que deu nome a uma expressão muito usada na política brasileira: a cristianização. Trata-se da situação em que, durante a eleição, um candidato perde o apoio do próprio partido, que se integra a outra campanha com mais chances de vitória. Na eleição de 1950, seu partido se bandeou para a candidatura de Getúlio Vargas, que acabou eleito.

Curiosamente, a legenda a que estava filiado Cristiano Machado era o PSD, mesma sigla que agora anunciou como candidato a presidente da República o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

O próprio presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, admitiu nesta segunda-feira,30, durante um evento em São Paulo, que Caiado terá que dividir o apoio de boa parte do PSD com os candidatos a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

"Vai ter quem apoia o Lula, vai ter quem apoia o Caiado, vai ter quem apoia o Flávio", declarou, reclamando da permissividade do sistema de coligações nas eleições majoritárias do Brasil.

Kassab foi até otimista. Na verdade, Caiado tem tudo para ser cristianizado pelos governadores e candidatos de seu partido ao comando dos governos estaduais.

Até o ato formal, em São Paulo, de lançamento da sua pré-candidatura a presidente contou com poucas lideranças do PSD e foi ignorado nas redes sociais de todos os 13 pré-candidatos da sigla aos governos estaduais, assim como pela maioria dos atuais governadores do partido.

Em São Paulo, estado de Kassab, haverá muita dificuldade de montar palanque para Caiado. O PSD apoia o governador Tarcisio de Freitas (Republicanos), que dará sustentação a Flávio Bolsonaro.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD) lidera as pesquisas para o governo, mas apoia abertamente Lula. Em Minas Gerais, o candidato do PSD é o vice-governador Mateus Simões, que declarou publicamente apoio a Romeu Zema (Novo) para presidente.

Ou seja, nem Rio, nem São Paulo, nem Minas, os três estados com maior número de eleitores. Mas no resto do país a situação também é ruim para Caiado.

Candidatos do PSD a governador no Centro-Oeste, no Norte e Nordeste também não o apoiam. Estão com Lula, Raquel Lyra (Pernambuco), Fabio Mitidieri (SE), Omar Aziz (AM). Eduardo Braide (MA) e Natasha Slhessarenko (MT). Caiado só tem o apoio do governador pessedista Marcos Rocha, em Rondônia. No Sul, publicamente o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), diz apoiá-lo, assim como o candidato do partido à sucessão, João Rodrigues. Mas, nos bastidores, a base de apoio de Ratinho é majoritariamente bolsonarista.

Até os líderes do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), e no Senado, Eliziane Gama (MA), fazem campanha pela reeleição do petista Lula.

Dentro do PSD, neste momento, o que corre solto não é o apoio a Caiado, mas a semelhança entre sua candidatura e a de outro integrante do PSD que entrou para a história, Cristiano Machado. Caiado está candidatíssimo à cristianização.