O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende, a partir desta semana, acelerar o processo de reforma ministerial. A ideia é marcar encontros com os ministros que ainda deverão deixar seus cargos para anunciar os nomes de seus substitutos.
Lula já fechou os nomes de oito pastas, faltam 13. Na maioria dos casos, os ministros que deixam os cargos participarão da escolha dos novos ocupantes. Com isso, o novo ministério será majoritariamente composto por técnicos de segundo escalão que já dividiam a gestão com os políticos titulares.
Um exemplo é Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, que substituiu Fernando Haddad (PT) no comando da pasta. Haddad deixou o cargo na quinta-feira, 19. Concorrerá ao governo de São Paulo em chapa que terá a ministra do Planejamento, Simone Tebet, como candidata ao Senado. Tebet deixará o MDB rumo ao PSB.
Durigan não tem o mesmo peso político de seu antecessor, o que ocorrerá com todos os técnicos que assumirem. A Esplanada dos Ministérios ficará, então, com seu perfil alterado e o poder concentrado no Palácio do Planalto.
Uma exceção é a secretária-executiva do Ministério da Casa Civil, Miriam Belchior, que substituirá Rui Costa (PT) e terá muito poder. Embora seja considerada uma técnica, ela é muito ligada ao presidente Lula. Com longa experiência política no PT de São Paulo, funcionará como pivô na distribuição das ordens do presidente à nova equipe ministerial.
Outra exceção é Olavo Noleto, que comandará a pasta das Relações Institucionais no lugar de Gleisi Hoffmann (PT). A ministra concorrerá ao Senado pelo Paraná. Noleto não ocupa a Secretaria-Executiva do Ministério. É secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, mas já transita no núcleo de negociação do governo há tempos, o que mantém a estratégia de priorizar quadros técnicos com experiência interna.
As pastas com nomes praticamente definidos são: Transportes, com George Santoro, no lugar de Renan Filho (MDB); Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, substituindo Marina Silva (Rede); Desenvolvimento Agrário, com Fernanda Machiaveli na vaga de Paulo Teixeira (PT); Indústria e Comércio, com Márcio Elias Rosa no lugar de Geraldo Alckmin (PSB); e Portos e Aeroportos, com Tomé Barros Monteiro da França cotado para o lugar de Silvio Costa Filho (Republicanos).
Há ainda pelo menos outros 12 ministérios cujos titulares deverão deixar as pastas, mas que, como Simone Tebet, não definiram seus substitutos.
O presidente Lula quer anunciar a troca depois de acertar com cada ministro, mas a ideia é seguir na linha daqueles que já foram definidos: um nome técnico escolhido em acordo entre o atual titular da pasta e o Palácio do Planalto.
Os ministérios cujos substitutos ainda não foram definidos são:
Planejamento (Simone Tebet), Educação (Camilo Santana), Cidades (Jader Filho), Empreendedorismo (Márcio França), Igualdade Racial (Anielle Franco), Minas e Energia (Alexandre Silveira), Pesca (André de Paula), Agricultura (Carlos Fávaro), Povos Indígenas (Sônia Guajajara), Previdência (Wolney Queiroz), Esportes (André Fufuca), Integração Regional (Waldez Góes) e Direitos Humanos (Macaé Evaristo).