O senador e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, marcou com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sua filiação ao partido no Paraná para o próximo dia 23.
Na expectativa de uma eleição tranquila para governador, ele conta nas pesquisas de intenções de voto com a simpatia de cerca de 40% dos eleitores do estado, juntando antipetistas e bolsonaristas.
Tudo acertado para um passeio em outubro, de mãos dadas com o candidato do PL a presidente da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), justamente no estado mais bolsonarista do Brasil. Mas eis que começaram a aparecer pedras no meio do caminho dessa nova aliança entre lavajatistas e bolsonaristas.
O muito bem avaliado governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), resolveu lançar-se candidato a presidente. É o favorito entre os três pré-candidatos do partido de Gilberto Kassab. O PSD governa o maior número de municípios no país, 887.
O presidente Lula também voltou seus olhos para o estado e lançou sua ministra-chefe da Casa Civil, a deputada Gleisi Hoffmann (P), que foi senadora pelo Paraná, como candidata ao Senado. Ainda convenceu o cacique político no estado, Roberto Requião, a fazer de Requião Filho o candidato a governador pelo PDT em aliança com o PT.
E agora, para aumentar o cerco a Sérgio Moro, o ex-governador Rafael Greca filiou-se ao MDB. Vai também concorrer a governador. Já tem garantido em sua chapa como candidato ao Senado o ex-senador e ex-governador Álvaro Dias (MDB).
Resultado da brincadeira: o que era uma eleição tranquila para Sergio Moro se transformou em uma disputa com muito provável segundo turno, pelo excesso de nomes, entre os adversários, com razoável força eleitoral.
Moro não costuma dar muita sorte nas suas aproximações com o bolsonarismo. Elas sempre ocorreram por motivações, digamos interesseiras.
A primeira vez que o então juiz cruzou com Jair Bolsonaro foi em um aeroporto. O ex-presidente ainda era um candidato a presidente sem muitas chances. Bolsonaro correu atrás de Moro. Nunca esqueceu que o mítico chefe da Lava Jato evitou cumprimentá-lo.
Mas o candidato cresceu nas pesquisas e acabou convidando Sérgio Moro, num lance de marketing em plena na campanha eleitoral, para, caso fosse eleito, ser seu ministro da Justiça. Prometeu indicá-lo depois para o Supremo Tribunal Federal (STF), mas a promessa nunca foi cumprida. Pelo contrário. No governo os dois brigaram e Bolsonaro demitiu Sérgio Moro do Ministério da Justiça.
Agora, novamente o lavajatismo e o bolsonarismo voltam a se juntar. Ainda não é um casamento no país inteiro, mas um noivado no Paraná, em chapa com o deputado Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) como candidatos ao Senado.
Será curioso ver como Moro, no PL, explicará que o maior doador de seu novo partido na eleição passada foi o dono do Banco Master, o sucessor da Lava Jato no ranking de escândalos políticos do Brasil.